10 filmes brasileiros que deixam qualquer aula mais interessante

18 de junho de 2019

Além de entreter, filmes podem ser ótimos aliados para educadores trabalharem temas importantes em sala de aula de um jeito dinâmico e real


O cinema é uma das maneiras mais dinâmicas de se contar histórias. Por isso, pode ser uma ótima ferramenta para professores que querem deixar o seu ensino mais lúdico e próximo da realidade dos estudantes. “A sétima arte vem ao encontro das disciplinas regulares do Ensino Fundamental e Médio e pode ser uma atividade complementar, não apenas extracurricular”. Esta é a principal contribuição do cinema na opinião de Edilene Rodriguez, mestranda em teatro pela Universidade Estadual de Santa Catarina e coordenadora da Escola de Teatro Faces em Primavera do Leste (MT).

Edilene conta que já teve experiências nas quais conseguiu potencializar o debate sobre determinados assuntos por meio de produções audiovisuais. “Conseguimos desenvolver várias camadas de discussões com os alunos usando filmes e outros recursos. Os estudantes passam a ser mais protagonistas de seu aprendizado”.

Em sua visão, o audiovisual permite ao aluno trazer ensinamentos de um tema para o cotidiano, fazendo também com que o aluno agregue mais repertório para sua vida. Com a ajuda da especialista, fizemos uma lista de 10 filmes brasileiros que potencializam o ensino e a aprendizagem. Confira!

 

Cidade de Deus

A favela Cidade de Deus, no Rio de Janeiro, é retratada no filme desde os anos 60 até os anos 80, por meio de uma trama que aborda violência policial, crime e desigualdade social, mas que mostra também a busca pela realização de sonhos.  Segundo a especialista, o lançamento do filme “foi quando, de fato, o público não-negro do país viu a situação da favela de forma geral e como ela funciona, como é a vida dessas pessoas [em maioria, negras]”. Edilene afirma que, em sala de aula, é possível falar sobre falta de oportunidades, criminalidade, vulnerabilidade social, entre outros temas.

 

Que Horas Ela Volta?

A história de uma babá que vive entre o trabalho doméstico e a possibilidade de a filha conquistar uma vida melhor é uma chance para os educadores falarem sobre “escravidão moderna” e as desigualdades do país. “O filme é bacana porque houve uma onda interessante no país de discutir o assunto. Abordaram-se relações de trabalho e a desvalorização desse tipo de emprego”, completa.

 

Nise: O Coração da Loucura

A história real da doutora Nise de Oliveira é contada na produção Nise – O Coração da Loucura, que remonta ao período no qual a profissional se recusa a aplicar tratamentos como eletrochoque e lobotomia em pacientes de um hospital psiquiátrico do Rio de Janeiro. O filme mostra como é possível mudar uma realidade hostil por meio da arte e do amor. “Ele fala da importância da arte no tratamento de pessoas com transtornos mentais e como ela pode ser uma eficiente terapia”, diz Edilene.

 

A Festa da Menina Morta

A história fictícia fala sobre a celebração religiosa que acontece há 20 anos em uma cidade ribeirinha do Amazonas, a partir da morte de uma menina. A narrativa fala sobre religiosidade e como um grupo social pode direcionar sua vida em torno de uma crença, de acordo com a especialista. “A produção fala sobre como nós podemos estar ligados a uma religião e paramos a nossa vida em função de datas religiosas”.

 

Preto no Branco

O curta-metragem Preto no Branco aborda racismo e preconceito. “É um filme sobre a desigualdade social e o preconceito em relação a um menino negro que é acusado injustamente de ter roubado a bolsa de uma mulher branca, apenas porque ele estava correndo bem no momento em que ela foi roubada. O curta discute a questão racial, preconceito e a meritocracia”, diz a entrevistada.

 

Zuzu Angel

O filme Zuzu Angel traz a história real da estilista e empresária brasileira que, durante a ditadura civil-militar, parte em busca do filho Stuart Angel, que foi preso, torturado e morto pelo regime. “É um filme para se fazer uma ligação entre passado e futuro, falar de política, sem contar as atuações incríveis. É importante para mostrar aos estudantes que a ditadura aconteceu e foi horrível, além de dar a chance para que os estudantes pesquisem mais a respeito do período”, diz a consultora.

 

Saneamento básico

A comédia mostra como um problema relacionado ao saneamento básico de uma pequena cidade brasileira traz à tona as burocracias relacionadas às autoridades, mas também sobre a importância de se investir em políticas públicas, afirma a especialista. “A produção permite falar sobre meio ambiente, cuidados básicos para a população em relação à água tratada, rede de esgoto e tudo mais vinculado à saúde pública, que é um assunto pertinente”.

 

O quatrilho

Edilene diz que o filme é importante para falar sobre alguns processos de imigração do século XX, já que a produção conta a história de imigrantes italianos que vivem no Rio Grande do Sul em 1910 por meio de uma comédia dramática cheia de romance e aventura.

 

Dúdú e o Lápis Cor da Pele

A especialista cita o curta-metragem como uma forma interessante de discutir a questão racial a partir da cor de um lápis. “Uma criança discute qual lápis de cor seria a cor da pele. O garoto é negro e não se sente representado quando pergunta à professora de que cor deve pintar o rosto do boneco de um desenho e a mesma diz para pintar com o lápis cor de pele, que na verdade é rosa-claro. Além disso, mostra como um trabalho coletivo de generosidade e disseminação de informação pode ser estimulado pelos próprios professores em sala de aula”.

 

Central do Brasil

O popular filme brasileiro conta a história de Dora, que trabalha escrevendo cartas para analfabetos na Central do Brasil, no Rio de Janeiro. Um menino que perdeu a mãe e está em busca do pai muda a história da ex-professora. “O filme fala de alfabetização, mas também de como a ex-professora é gentil, mostrando que ser gentil é importante na vida. É possível ver por meio da produção que proporcionar ao outro um conhecimento que você tem é uma forma de mudar o mundo”, finaliza.



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