4 iniciativas em prol dos direitos da comunidade LGBTI+ no Brasil

15 de maio de 2020

Desde startups de conscientização até espaços culturais e educacionais, saiba mais sobre as iniciativas que estão contribuindo para garantir os direitos da comunidade LGBTI+


Com o intuito de combater a desinformação, desconstruir preconceitos e igualar as oportunidades para a comunidade LGBTI+, algumas iniciativas surgem para destacar a causa como uma prioridade para a sociedade brasileira.

No dia 17 de maio de 1990, a Organização Mundial da Saúde (OMS) deixou de considerar a homossexualidade como um distúrbio mental, excluindo o termo da Classificação Estatística de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID). A partir deste momento, ter uma orientação sexual ou expressão de gênero diferente do padrão heteronormativo passou a ser considerado um traço da personalidade.

Trinta anos depois, essa data continua a ser lembrada pela comunidade LGBTI+ como um marco da luta por direitos. Por mais que muitas conquistas tenham avançado ao longo dos anos — como a aprovação do união civil entre pessoas do mesmo sexo e criminalização da homofobia — ainda há muito para alcançar no que diz respeito à igualdade de oportunidades e regulações na legislação.

Em um cenário onde cerca de 20 milhões de pessoas — que representam 10% da população do país — se encontram à margem dos direitos e lutam para avançar as discussões e pautas relacionadas à diversidade, tais projetos funcionam como um canal de ampla divulgação e transformação de realidades.

São startups de conscientização e mobilização, até espaços culturais, educacionais e de acolhimento. Conheça quatro iniciativas voltadas para os direitos da comunidade LGBTI+ no Brasil.

 

TODXS

A startup social TODXS surgiu como uma iniciativa voluntária e sem fins lucrativos, que tem como missão criar oportunidades e soluções inovadoras para empoderar a comunidade LGBTQI+. A partir de projetos de tecnologia e inovação, a empresa atua para disseminar e universalizar o conhecimento sobre os direitos que fazem parte da agenda da diversidade.

O projeto, fundado por quatro jovens no ano de 2016; Duda Carvalho (PE), William Mallmann (SC), Pedro Souza (MG) e Ítalo Alves (CE), presenciaram e protagonizaram muitos episódios de discriminação e decidiram investir na ideia de conscientizar a sociedade brasileira sobre a perspectiva da população LGBTQI+.

Hoje, a startup conta com mais de 100 voluntários e trabalha em diversas frentes para concretizar esse objetivo. Um dos projetos é o TODXS App, aplicativo que faz um mapeamento da legislação que diz respeito à agenda da diversidade, em parceria com o Ministério de Transparência e Controladoria Geral da União. Além de reunir mais de 800 leis municipais, estaduais e federais, o aplicativo funciona como um portal de denúncias de agressões e discriminação.

Outras ações como palestras (TODXS Conecta), encontros (TODXS Café), consultoria (TODXS Consultoria) e capacitação de jovens (Embaixadorxs) são realizadas para oferecer mecanismos que apoiem jovens a transformar a realidade de suas comunidades.

 

Bicha da Justiça

Cerca de 70% das vítimas de preconceito não procuram um advogado por medo de serem revitimizadas. Esses dados foram levantados pela startup mineira Bicha da Justiça, fundada pela advogada Bruna Cristina Santana de Andrade e pela administradora Flávia Maria dos Santos. A ideia é um portal online que oferece assessoria jurídica especializada em diversidades.

Os advogados parceiros acatam demandas jurídicas dos mais variados tipos: adoção, pedidos de união estável, alteração de nome e gênero em documentos, solicitações de cirurgia, redefinição de sexo, violência física, entre outros pedidos, mas sempre com a preocupação de evitar a LGBTfobia.

Aqueles que não têm condições financeiras de pagar pelo serviço, recebem aconselhamento pro bono. Além disso, a startup oferece o primeiro atendimento gratuito, para que os clientes conheçam um pouco mais sobre a especialização. A iniciativa já alcançou 4 mil pessoas e formou uma base com 20 advogados, só em 2019.

 

Casa 1

Em janeiro de 2017, a Casa 1 foi inaugurada pelo jornalista Iran Giusti, ativista na causa LGBTQI+. Idealizada para ser um espaço de acolhimento para àqueles que foram expulsos de casa por conta da orientação sexual e/ou expressão de gênero. A casa foi construída no bairro da Bela Vista, no centro da capital paulista, com a ajuda de uma campanha de financiamento coletivo.

Além de funcionar como abrigo, a casa também tem como objetivo promover ações e projetos para conscientizar e dar voz às narrativas da comunidade LGBTI+. Por meio de palestras, saraus, shows, debates, cursos, oficinas e festas, abertas gratuitamente para o público, a república se posiciona de acordo com os coletivos, movimentos e marcas que se comprometem na garantia de direitos para a causa.

Outras duas frentes mobilizadas pelo espaço de acolhimento é a dos atendimentos médicos e psicoterapêuticos — que tem como finalidade garantir a manutenção da saúde mental sob perspectivas humanizadas; E a educacional, que promove grupos de trabalho para desenvolver estudos em diferentes áreas, como línguas, direito, dança, performance, arquitetura, urbanismo, comunicação e cinema. A Casa 1 é mantida através de doações e trabalho voluntário.

 

English to Trans-form

De acordo com dados da Pesquisa Nacional sobre o Ambiente Educacional no Brasil, realizada em 2016, cerca de 73% dos estudantes LGBTQI+ são agredidos verbalmente por conta de sua orientação sexual. Dentro deste mesmo grupo, 36% afirmam que já foram ou são agredidos fisicamente, o que leva muitos estudantes a abandonar a escola para evitar a discriminação.

Pensando nesse cenário, um grupo de professores voluntários fundou o English to Trans-form, uma iniciativa que visa oferecer mais do que apenas aulas de inglês, mas também um ambiente seguro e de oportunidades igualitárias de aprendizado.

O curso de idiomas é gratuito e oferecido em diferentes locais de São Paulo, mas em geral as aulas acontecem no espaço disponibilizado pela Casa 1, para mulheres e homens transexuais e pessoas em situação de vulnerabilidade social. O material didático é desenvolvido pelos próprios professores e traz temas ligados à comunidade LGBTQI+.

Embora o público principal seja formado por pessoas transgênero, o curso é aberto para a população cisgênera e crianças entre cinco e sete anos de idade, que contam com um módulo especialmente criado para atendê-las.



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