As lições de Leonardo da Vinci para uma educação de qualidade

30 de agosto de 2019

Durante evento Educação 360 STEAM, especialistas brasileiros e estrangeiros discutiram novos caminhos para o ensino de ciências, matemática e artes


Leonardo da Vinci costuma ser descrito como um sonhador ou um gênio. Mas segundo um dos maiores escritores científicos da Europa, o físico e professor alemão Stefan Klein, a carreira do inventor é uma prova do triunfo da Educação.Durante o evento Educação 360 STEAM, ele falou sobre as lições que o italiano do século XV deixa para se alcançar uma educação de qualidade.

O Educação 360 STEAM aconteceu nesta semana, no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. Realizado anualmente pelos jornais O Globo e Extra, com o apoio da Fundação Telefônica Vivo, o encontro reúne pensadores, especialistas, educadores e empreendedores para debater temas relevantes para a educação brasileira.

“Gênios não nascem, gênios são feitos. As circunstâncias importam mais do que os talentos e não se pode subestimar a importância da relação professor e estudante”, Stefan Klein.

Partindo da biografia de Leonardo da Vinci, as discussões levantaram os desafios do STEAM (conceito do acrônimo inglês para Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática). Os palestrantes fizeram reflexões importantes sobre o ensino das Ciências Exatas e Biológicas, a importância das Artes e o papel da Tecnologia nas escolas.

Abaixo você confere algumas lições de Leonardo da Vinci e aproveita para ficar por dentro de tudo o que foi discutido no Educação 360 STEAM:

 

A curiosidade é premissa que deve ser estimulada

Pintor, inventor, cientista, matemático, engenheiro, arquiteto. O trabalho de da Vinci é tão diverso que é fácil pensar que ele era excepcional. Mas, segundo o físico Stefan Klein, tudo o que ele alcançou não foi fruto de raro talento. “Todos nós temos talentos. O segredo de Leonardo é o investimento nesses talentos para explorar uma realidade até então pouco conhecida”.

Aos 17 anos, Leonardo ingressou como aprendiz no ateliê do artista Andrea delVerrocchio, onde aprendeu sobre desenho técnico, química, metalúrgica, mecânica, carpintaria, além de técnicas de arte, pintura e escultura.

O contato com várias áreas e o estímulo à sua natural curiosidade foi fundamental para ele pintar quadros recheados de estudos de luz e proporção, como a Mona Lisa, especializar-se em anatomia humana e construir máquinas fantásticas, como o helicóptero e o paraquedas. Tudo isso na passagem do século XV para o XVI.

Klein ressaltou que Leonardo da Vinci inventava as questões e ia atrás das respostas. “Os seres humanos aprendem quando estão em busca de algo.Sendo assim, a melhor coisa que um professor pode fazer pelo estudante é estimulá-lo a ir atrás de suas curiosidades”.

 

Aprendizagem mão na massa é fundamental

Com a dissecação de cadáveres, o renascentista aprendeu minuciosamente como funciona o corpo humano. É dele a primeira representação da coluna vertebral, com sua curvatura típica e vértebras. A partir das experimentações práticas veio também o entendimento de como o sangue flui pelo coração, o que o levou a construir o primeiro protótipo de coração artificial do mundo.No Educação 360, durante o painel que discutiu ensino híbrido e metodologias ativas, Lucia Dellagnello, diretora presidente do Centro de Inovação para Educação Brasileira (CIEB), ressaltou a importância da experimentação e defendeu que o professor ocupe papel de um “designer da experiência de aprendizagem”, que reflete sobre o que ensinar, como, em qual espaço e com quais recursos.

“Aprender não significa adquirir informações. É sobre desenvolver competências, e isso está ligado a como os estudantes conseguem mobilizar aquilo que aprenderam para pensar em novas ideias e fazer relações com aquilo que experienciam”, disse Lucia, ao defender mais atividades mão na massa e baseadas em projetos multidisciplinares.

 

Tecnologia é aliada, não concorrente

O Renascimento europeu, período no qual viveu Leonardo da Vinci, foi marcado por importantes realizações de engenheiros, arquitetos e inventores que se especializaram em criar novas tecnologias que ajudaram no desenvolvimento da humanidade, como microscópio, engenharia náutica, eclusa, chave de fenda e a famosa prensa de Gutenberg, que permitiu o surgimento dos livros impressos e da disseminação do conhecimento.

Olhando para o presente, as tecnologias digitais entram cada vez mais em nossas vidas. Mesmo assim, uma pesquisa do Todos pela Educação apontou que o principal motivo pelo qual o professor não usa tecnologia em sala de aula é por não se sentir preparado. No entanto, como apontou Lucia, a tecnologia é uma “viabilizadora de práticas que ajudam o professor a inovar e a personalizar o ensino”.

O ponto de vista de quem já está se apropriando dela para ampliar o alcance de suas aulas foi apresentado no Educação 360 por três professores com canais de educação no Youtube – Rafaela Lima, do canal Mais Ciências, Tatiana Rezende, do Historizando, e IvysUrquiza, dono do canal Física Total.

“Muitos professores sofrem com duas angústias: enxergar a tecnologia como concorrente e achar que ela vai dar um trabalho extra não remunerado”, disse YvysUrquiza. “De fato, se apropriar de uma nova tecnologia exige esforço, demanda tempo e tem uma certa curva de aprendizado, mas na hora em que vamos nos familiarizando com ferramentas de construção de site e tabelas, com aplicativos e plataformas de criação de vídeo, percebemos as vantagens que nos oferecem no ensino-aprendizado”.

 

Ter coragem para ultrapassar fronteiras

“O grande legado de Leonardo da Vinci é demonstrar tudo o que o ser humano pode criar quando ultrapassa fronteiras e se liberta de alguns padrões. Ele foi capaz de não só observar a realidade, mas de criar uma nova e mais abstrata”, defendeu Stefan Klein.

Ultrapassar fronteiras para inovar é uma das premissas da 42 São Paulo, um modelo de educação criado na França e que está chegando ao Brasil. Com o objetivo de se tornar a maior rede para formação de programadores do mundo, o curso de tecnologia na 42 São Paulo  é gratuito, não tem professores, grades de disciplinas, notas ou horários fixos. Em vez disso, é usada a gamificação e o aprendizado por pares.

“A gente acredita que dá para viver o hoje e construir o amanhã”, declarou Karen Kanaan, sócia da 42 São Paulo  e responsável por apresentar a nova metodologia à plateia do Educação 360 STEAM. “Mais do que aprender uma linguagem, é aprender a aprender, é sobre como reprogramamos nossa cabeça para aprender num ambiente novo, com novos desafios. Isso faz com que você ganhe confiança em seu potencial”.

O modelo, presente em 18 países, está na fase de seleção dos estudantes que vão ocupar as 180 vagas disponíveis. Para Americo Mattar, diretor-presidente da Fundação Telefônica Vivo, parceira estratégica, o espaço de ensino vem atender a uma demanda por novos profissionais, novas formas de pensar e novas maneiras de se ensinar.

“Ao inverter a lógica da necessidade de um diploma, a 42 SP está valorizando não um papel, mas a aquisição de competências e a construção de saberes a partir de uma experiência de aprendizado que te coloca em competitividade no mercado de trabalho”, pontuou o diretor-presidente.

Na imagem, Beto Silva está sorrindo e interagindo com a plateia durante um do workshops do evento 360 STEAM, que debateu novos caminhos para inovação por meio de lições de Leonardo da Vinci.

Cultura digital na prática

Durante o Educação 360 STEAM, a Fundação Telefônica Vivo também ofereceu aos educadores os workshops Educação na Cultura Digital: Por um aprendizado mais significativo e Mergulho Programaê: Uma vivência criativa no pensamento computacional, ambos relacionados às competências do século XXI e à BNCC.



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