Escolas combatem desperdício com projetos sobre alimentação saudável

16 de janeiro de 2020

Apesar de vivenciarem realidades diferentes, projetos de educadores da Escola Municipal Rosa Amélia de Queiroz, no interior de Pernambuco, e da Escola Municipal Líbano, no interior de Sergipe, combinaram tecnologia e recursos offline para abordar de forma mais significativa dois assuntos: combate ao desperdício e alimentação saudável.

As duas escolas integram o Aula Digital – projeto que faz parte da iniciativa global ProFuturo, da Fundação Telefônica Vivo e da Fundação ‘”la Caixa” e é moldado em cinco frentes: desenvolvimento da aprendizagem e inovação do século XXI, empoderamento de professores, integração com o digital, compartilhamento de conhecimento e avaliação contínua. Presente em cinco territórios no Brasil, o projeto oferece formação continuada a educadores em parceria com as secretarias de Educação das redes de Estados e municípios, além de recursos tecnológicos e acompanhamento pedagógico contínuo.

 

Nem tudo vai para o lixo

Atividade sobre alimentação saudável feita pelos alunos da Escola Municipal Rosa Amélia de Queiroz

Você sabia que o Brasil desperdiça anualmente cerca de 26 milhões de toneladas de alimentos, segundo dados do relatório da Organização das Nações unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO)? Espantados com essa informação, os alunos do 5º ano do ensino fundamental da Escola Municipal Rosa Amélia de Queiroz, localizada em Vitória de Santo Antão (PE), convidaram a comunidade a debater sobre o desperdício de alimentos.

O projeto Sustentabilidade: reaproveitamento de alimentos, coordenado pela professora de biologia Robervânia Oliveira, levou os alunos a refletirem sobre consumo consciente de alimentos, assim como os benefícios para a saúde de uma alimentação saudável, rica em frutas, verduras e legumes.

A tecnologia foi aliada durante todo o processo de ensino-aprendizagem. Com os conteúdos disponibilizados pelo projeto Aula Digital, os alunos pesquisaram juntos sobre o desperdício de alimentos no Brasil, assistiram a vídeos de especialistas e, a partir disso, discutiram como criar soluções coletivas e individuais.

Alunos da Escola Municipal Rosa Amélia
de Queiroz durante atividade
reaproveitamento de alimentos

Em seguida, colocaram a mão na massa: as crianças selecionaram receitas que poderiam ser feitas com as partes dos alimentos que normalmente são desprezadas. Em casa, pesquisaram mais sobre os nutrientes do alimento escolhido e prepararam uma apresentação para ser compartilhada com os colegas.

A gestora da escola, Kelly Rosa Sousa, conta que os estudantes se encantaram ao saber que cascas e talos de verduras e legumes, que normalmente vão para o lixo, são as partes com o maior teor de nutrientes e, por isso, devem ser reaproveitadas.

As famílias também foram envolvidas no projeto: ajudaram as crianças a prepararem receitas mais diversificadas. As cascas da maçã, por exemplo, se transformaram num delicioso bolo. A casca do maracujá virou um doce e o miolo e a casca do abacaxi foi usada para um suco refrescante.

Alguns alunos usaram o celular para criar um tutorial de preparo. As melhores receitas foram organizadas em cartões, distribuídos para toda a comunidade, que também compareceu à escola para um dia de degustação dos pratos feitos a partir das pesquisas das crianças.

“Os alunos aprenderam sobre nutrientes, entenderam que é muito importante conhecer mais sobre alimentação, criaram uma consciência sobre o desperdício de forma geral. Como boa parte dos processos foi feito em grupo, eles também aprenderam a trabalhar em equipe e desenvolveram a habilidade de falar em público”, relembra Kelly. “Posso afirmar que eles adoraram cada etapa”, conta a gestora Kelly Sousa.

 

Alimentação saudável na escola

Um olhar atento da gestora Lindijan Santos captou que a alimentação das crianças da Escola Municipal Líbano, em Nossa Senhora das Dores (SE), poderia ser melhorada. “Alunos exageravam na quantidade de comida. Por outro lado, alguns comiam pouco e rejeitavam uma grande variedade de alimentos, optando por guloseimas como balas, pipoca e refrigerantes trazidos de casa”, exemplifica.

Em decorrência disso, a gestora conta que eram muito comuns reclamações sobre a saúde e problemas bucais, o que ocasionava faltas. Dessa forma, os professores Cleonâncio Almeida Santos e Maria de Lourdes decidiram usar os recursos do Aula Digital para tornar mais significativo o aprendizado da turma do 3° ano do ensino fundamental sobre os benefícios de uma alimentação mais saudável.

Imagem mostra diversas folhas de papel com colagens de fotos recortadas de alimentos separados pelos títulos: alimentos saudáveis e alimentos não saudáveis. Atividade faz parte de projeto sobre alimentação saudável.
Atividade na Escola Municipal Líbano

Tudo começou com uma roda de conversa entre alunos e professores para que contassem como eram suas refeições. Em conjunto, refletiram sobre os benefícios da alimentação saudável e que tipos de mudanças poderiam ser feitas no cotidiano.

A proposta foi sair da sala de aula e ocupar outros espaços da escola, como o refeitório e a área de recreação. Depois foi a hora de se aprofundar melhor nos conceitos discutidos, usando os recursos tecnológicos do Aula Digital.

Com a atividade Os princípios de uma vida saudável, aprenderam mais sobre o conceito de pirâmide alimentar e fizeram uma pesquisa aliada a técnicas de colagem, desenho e pintura. Os cartazes elaborados pelos alunos foram apresentados aos demais colegas e depois ficaram expostos para toda a escola.

“Também tivemos outras atividades práticas sobre a temática, como música, jogos e aulas de culinária. Os alunos aprenderam a fazer bolos, saladas de frutas e sucos variados”, relembra Cleonâncio.

Segundo o educador, foi perceptível a evolução e o interesse das crianças por uma alimentação mais balanceada.

“Nós sempre conciliamos o conteúdo digital com a realidade dos nossos alunos. Como a nossa escola fica na zona rural, a tecnologia desperta muito o interesse deles. O Aula Digital veio para somar na nossa escola e nos ajudar a inovar em nossas práticas pedagógicas, contribuindo para despertar sonhos em nossos alunos”, finaliza o professor Cleonâncio Santos.



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