Escolas mais inovadoras do Brasil falam como transformar a educação

18 de abril de 2019

Roda de conversa, troca com a comunidade e acolhimento do professor são algumas das práticas das instituições que compõem o Movimento de Inovação na Educação

Em 2017, a Organização das Nações Unidades (ONU) reconheceu o dia 21 de abril como data oficial para celebrar, em todo o mundo, a criatividade e a inovação, duas palavrinhas que ajudam a sociedade a traçar caminhos para um futuro mais sustentável. Quando o assunto é educação, estes conceitos são fundamentais para melhorar a aprendizagem, deixar a escola mais significativa, a gestão eficiente e professores e alunos mais engajados.

Em referência ao Dia Mundial da Criatividade e Inovação, pedimos a sete das escolas mais inovadoras do Brasil, integrantes do Movimento de Inovação na Educação, para compartilharem algumas de suas práticas mais significativas. Leia e inspire-se!

O Movimento de Inovação na Educação integra redes, escolas, profissionais, ativistas e iniciativas sociais pela transformação da educação em seus diversos campos. A parceria reúne a Fundação Telefônica Vivo, Associação Cidade Escola Aprendiz, a e Ashoka.

A hora e a vez do professor

A Escola Municipal de Ensino Fundamental Profª Iêda de Seixas Souza, em São José do Rio Preto (SP), é organizada por meio da gestão democrática. Jogos e atividades que estimulam o trabalho em grupo e a cooperação trabalham valores positivos como senso de justiça, respeito e solidariedade. O destaque da diretora Juliana Ruiz, no entanto, vai para o trabalho de integração e acolhimento dos docentes:

“O importante é despertar em cada professor o desejo de que seu trabalho em sala de aula esteja conectado a um todo harmônico. Neste sentido, a escola implementou as práticas circulares baseadas nos princípios da Justiça Restaurativa. O processo circular favorece o fortalecimento dos vínculos, constrói o sentido comum do grupo e também oportuniza a consolidação do contrato didático em sala de aula, empoderando cada sujeito do processo educativo para o exercício do seu protagonismo”.

 

O mundo cabe aqui

Localizada em Manaus (AM), a EMEF Professor Waldir Garcia se destaca por receber alunos estrangeiros: haitianos, venezuelanos e até canadenses. Assim, integrar a cultura de outros povos faz parte das ações de inclusão da escola. A diretora Lúcia Cristina Cortez detalha um dos projetos que compõe essas ações:

“No Temperos do saber, trazemos os pais para ensinar receitas típicas aos alunos, que são trabalhadas de forma interdisciplinar. Os estudantes fazem pesquisa sobre as origens das receitas, vamos todos à feira para comprar os ingredientes, fazemos pesquisa de preço e análise da quantidade dos produtos. Depois, é claro, degustamos o prato. O objetivo é aproximar as famílias da escola, principalmente os estrangeiros. No ano passado, tivemos a Sopa da Liberdade, prato típico haitiano, e arepas da Venezuela”.

 

O que faz a liberdade

O Instituto Federal do Paraná (IFPR) Jacarezinho (PR) trabalha desde 2015 com um currículo fundamentado na criatividade docente, em autonomia e protagonismo estudantil. Em vez de aulas tradicionais, os estudantes têm à disposição Unidades Curriculares (UC) variadas e escolhem com quais se identificam.

Dependendo do contexto, inovação pode adquirir vários significados. Para a Fundação Telefônica Vivo, inovação educativa é criar e implementar novas ferramentas, metodologias ou modelos que tornem mais efetiva a aprendizagem e mais eficiente a gestão das escolas. Vale dizer que a inovação pode ou não incluir tecnologia.

“Um dos fundamentos de gestão é proporcionar condições para que docentes e alunos tenham liberdade. A construção de um novo currículo de Ensino Médio Integrado só foi possível porque temos liberdade de ensinar e aprender. A criatividade aflora abundantemente”, define David José de Andrade Silva, professor de inglês e português e um dos responsáveis pela implantação do novo currículo.

 

Escuta aberta

Educadora está lendo livro com aluna sentada em um banco de madeira na Escola Municipal de Mirantão, que integra lista das mais inovadoras do Brasil.

Alguns dos destaques da Escola Municipal de Mirantão, na zona rural de Bocaina de Minas (MG), é o trabalho com turmas multiseriadas e a integração com a comunidade local, que é sempre convidada a compartilhar seus saberes. Outra prática interessante foi inspirada em uma visita a uma escola da França, pela professora Suzana Pereira:

“Todos os dias, no início das atividades, os alunos do 1º ao 5º ficam em roda para compartilhar algo que desejam, exercitando a fala, a escuta respeitosa e o sentido de auto-organização de uma atividade.”

 

Desvendando o mistério

O Instituto Pandavas também mantém uma das escolas mais inovadoras do país e atende o Ensino Fundamental, em Monteiro Lobato (SP). Para as atividades em grupo, desenvolveu uma metodologia que favorece a interação com pessoas diferentes, evitando deixar os alunos somente com quem já têm  afinidade. Quem explica é o professor Nilton Almeida Silva:

“Por exemplo: o professor de Português quer formar dois grupos em uma turma com 20 alunos para trabalhar com Processos de Formação de Palavras. Ele escreve em papeizinhos dez palavras formadas por composição e dez por derivação e os dobra. Os educandos recebem os papeis, sem conhecer previamente o assunto tratado. Eles devem procurar seus semelhantes, dialogar, investigar e, a partir das pistas, descobrir o critério para a formação dos dois grupos. É surpreendente como, às vezes, descobrem relações não imaginadas pelo educador, mas igualmente corretas! Trata-se de uma atividade simples e eficaz, capaz de gerar momentos de diversão e aprendizado”.

 

Resgate das raízes

Localizada em Curitiba (PR), a Escola Municipal Júlia Amaral Di Lenna atende mais de 1.000 alunos de educação infantil e ensino fundamental com um currículo articulado, agregando diversas áreas do conhecimento e estimulando a pesquisa e a reflexão. Um dos trabalhos deste ano, feito em comemoração aos 50 anos da escola, ilustra bem essa articulação, como conta a diretora Julianna Laudicelli de Oliveira Cruz:

“No projeto Escolas do Mundo o objetivo é resgatar a nossa identidade buscando reflexão e conexão com outros lugares – escolas indígenas, rurais, das grandes cidades, com muitos ou poucos alunos e até de outros países. Além do resgate histórico de nossa escola, pesquisaremos sobre o sistema de educação como um todo, abordando o funcionamento da destinação de recursos em cada região e um levantamento sobre a infraestrutura, uso da tecnologia e as disciplinas trabalhadas no passado e presente.”

 

Aprendizado entre pares

Duas meninas da Escola Municipal Professor Ivan Galvão de França, que integra lista das mais inovadoras do Brasil, estão sentadas lado a lado manipulando um globo terrestre.

Com uma proposta de desenvolvimento integral, a Escola Municipal Professor Ivan Galvão de França, em Águas de Lindoia (SP), agrupa alunos de 3 a 11 anos em ciclos de atividades que levam em conta o desenvolvimento de cada um ao longo do ano, em desafios cognitivos, físicos, emocionais e relacionais. A diretora Juliana Chorfe relata:

“Nosso trabalho pedagógico é desenvolvido baseado em interesse ou necessidade das crianças. As situações e oficinas propostas as levam a conviver, sentir, conhecer, fazer e ser, em uma aprendizagem que não se limita a conteúdos rígidos do currículo, mas acabam por constituir ações promovedoras das potencialidades de cada um.”



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