Inovação e tecnologia contribuem na inclusão de alunos com deficiência

Após formação do Aula Digital, escola de Sergipe passou a desenvolver projetos em tecnologia assistiva

Tecnologia assistiva contribui com o aprendizado de alunos com deficiência em escola de Aracaju (SE)”

Nome: Anderson Reis | Escola: Centro de Atendimento Educacional Especializado João Cardoso Nascimento Júnior | Projeto: Aula Digital

No Centro de Atendimento Educacional Especializado João Cardoso Nascimento Júnior, em Aracaju (SE), a chegada dos kits tecnológicos do projeto Aula Digital, da Fundação Telefônica Vivo, representou uma nova fase na aprendizagem dos 120 alunos – todos com algum tipo de deficiência de alto comprometimento.
Anderson de Araújo Reis é gestor da escola há mais de um ano. Pela primeira vez na direção, ele sempre trabalhou com educação inclusiva. É também doutorando em educação, na Universidade Federal de Sergipe, e pesquisa tecnologias da informação e da comunicação.
Para ele, a formação do projeto Aula Digital foi importante para ajudar a escola a usar ferramentas que, muitas vezes, já estão lá. “Por isso a formação que recebemos foi tão importante e deve ser contínua. Precisamos fazer a diferença na comunidade, a partir das nossas próprias necessidades e conhecimentos”, afirma.

Estímulo à autonomia

O gestor acredita que ainda vivemos em um sistema excludente, que enxerga o ser humano dentro de um padrão de normalidade. “Muitas vezes a exclusão acontece, porque não sabemos como conduzir a inclusão. Mas agora chegou um recurso tecnológico que pode agregar muito”, comemorou.
Segundo ele, o uso de tablets, computadores e novos softwares promovem o reconhecimento do sujeito na sociedade, uma vez que ajuda a aprofundar o processo de ensino-aprendizagem. “Há, por exemplo, pessoas que não falam, mas se comunicam por meio da escrita. A tecnologia vem para auxiliar nesses processos. Podemos trabalhar com jogos e trazer novas possibilidades de aprendizagem”.
Ao lado dos educadores, o gestor busca utilizar ferramentas voltada para o público específico da escola. “Temos todos os tipos de deficiência, múltiplas inclusive, como autismo e paralisia cerebral”. A ideia é utilizar os recursos do kit em uma área chamada tecnologia assistiva. O termo ainda é novo, mas é utilizado para identificar todo o arsenal de recursos, serviços, metodologias e estratégias que contribuem para proporcionar ou ampliar habilidades funcionais de pessoas com deficiência, de modo a promover inclusão e independência.
“Desenvolvemos recursos e metodologias por meio da tecnologia, para favorecer a autonomia no processo de inclusão das pessoas, tanto no campo educacional, quanto no social”, disse.

Processo

Dentro dessa jornada de formação, Anderson disse que se admirou com a logística do projeto. “O material só chegou depois da escuta, da interação e de um processo de entendimento da realidade escolar. Tivemos formação e, além da formação, a possibilidade de discutir realidades.”

Para o gestor, inclusão não é apenas garantir a matrícula dos alunos, mas consagrá-los a partir de suas necessidades e especificidades. “Estamos no momento de adaptar conteúdos. A nossa área de tecnologia assistiva sempre propõe projetos piloto e agora temos uma ferramenta muito maior para trabalharmos.”

Na prática

Durante o processo de letramento de alunos com deficiência intelectual, o professor propôs uma atividade de construção do reconhecimento de onde se vive, incentivando os alunos a falarem sobre a casa e a família.
“Uma das alunas da sala não fala, mas usou o tablet para construir a casa e representar o pai, a mãe e o irmão. Foi emocionante. Por meio da ferramenta, ela expressou o que sabia”.

Atuação em Sergipe
Iniciativa global da Fundação Telefônica e Fundação Bancária “La Caixa”, que visa melhorar as oportunidades das crianças na África, Ásia e América Latina, incorporando a inovação nas escolas por meio da tecnologia e de novas metodologias de ensino e aprendizagem, o Projeto Aula Digital chegou a Sergipe em 2017.

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