10 livros do universo infantojuvenil que marcam a literatura brasileira

18 de abril de 2019

Dos clássicos aos contemporâneos, descubra alguns livros infantojuvenis que impactam a literatura nacional


Desde o folclore descrito por Monteiro Lobato (Sítio do Picapau Amarelo), da poesia lúdica de Cecília Meireles (Ou Isto ou Aquilo), o olhar crítico de Ruth Rocha (Marcelo, Marmelo, Martelo), até os carismáticos personagens de Ziraldo (O Menino Maluquinho), o universo infantojuvenil brasileiro passa por constante transformação, ganhando novas cores e contornos à medida que acompanha o imaginário de cada época.

Por isso, de tempos em tempos, é importante abrir novas portas para a imaginação e adicionar outros formatos e ideias ao seleto hall dos livros infantojuvenis considerados clássicos.

 “Clássicos são aqueles que a gente precisa conhecer e reconhecer! Escrever para crianças é muito difícil, pois você precisa traduzir em poucas palavras a mensagem que quer passar, cativando e trazendo um entendimento ao mesclar forma e conteúdo”, acrescenta a jornalista Aryane Cararo, que também é escritora e especialista em literatura infantojuvenil.

Além de Cararo, consultamos Ilan Brenman, autor de livros infantis, e Cristiane Rogerio, jornalista da revista Crescer, para listar livros que, independente do status no cenário literário, impactam e contribuem para a formação integral de crianças e jovens. A intenção é traçar um paralelo entre livros considerados clássicos nacionais e obras ilustradas contemporâneas que também alcançaram notoriedade. Confira a seguir:

 

Obras contemporâneas

Drufs – Eva Furnari
Capa de Drufs tem vários personagens do livro do universo infantojuvenil desenhados em um semicírculo.

Eva Furnari, autora do clássico A Bruxinha Atrapalhada, trabalha a experimentação no título  Drufs, ganhador do prêmio Jabuti 2017. A história gira em torno do universo dos Drufs, mas o que surpreende mesmo é o projeto gráfico e de criação desses personagens, feitos a partir de fotografias divertidas dos dedos das mãos.

As famílias de crianças drufs apresentam as mais diversas configurações e problemas variados, ensinando importantes lições sobre respeito.

 

 

A Raiva – Blandina Franco e José Carlos Lollo
Capa de A Raiva, livro do universo infantojuvenil, traz a palavra escrita em letras pretas sobre um fundo branco.

Escrito por Blandina Franco e ilustrado por José Carlos Lollo (Quem soltou o Pum?), o livro ganhou o Prêmio Jabuti 2015 e traz A Raiva como personagem principal. Todas as crianças (e adultos!) conhecem esse sentimento, mas nesta obra podem observar como ela se comporta, começando pequenininha e tomando proporções imensas até explodir!

De uma forma divertida, o livro conduz os leitores através das próprias emoções e traz uma reflexão importante sobre a maneira que lidamos com elas.

 

Até as Princesas Soltam Pum – Ilan Brenman
Capa de Até as Princesas Soltam Pum, livro do universo infantojuvenil, traz uma menina usando vestido com estampa quadriculada em azul e verde, olhando de lado para o leitor.

Indicado por Aryane Cararo e Cristiane Rogerio, o livro de Brenman vem para quebrar o estereótipo de princesas sempre delicadas e perfeitas.

Até as Princesas Soltam Pum parte de um questionamento de Laura, a protagonista do livro. Com a ajuda do pai, a menina descobre um livro secreto que revela uma série de segredos sobre o código de conduta das princesas clássicas e as aproxima da nossa realidade.

 

Armazém do Folclore – Ricardo Azevedo
Capa de Armazém do Folclore, livro do universo infantojuvenil, traz rostos de personagens, casas e animais desenhados lado a lado.

Com ilustrações que lembram a técnica do cordel, Ricardo Azevedo reúne em uma única obra diversos formatos para traduzir os contos e mitos brasileiros, usando poesia, ilustrações, adivinhações, receitas, trava-línguas, frases e ditados, sem jamais deixar de lado a interatividade com o leitor.

Vencedor do prêmio Jabuti 2000, Armazém do Folclore de fato carrega o conhecimento do autor sobre a cultura brasileira. De uma forma cativante mergulha os leitores na diversidade e riqueza de nossas próprias histórias.

 

Bárbaro – Renato Marconi.
Capa de Bárbaro, livro do universo infantojuvenil, traz um guerreiro empunhando uma espada em cima de um cavalo, em um formato retangular.

Bárbaro, livro ilustrado de Renato Marconi publicado pela Companhia das Letrinhas, conquistou um Jabuti e surpreende pela experiência que traz ao universo infantojuvenil. A história é contada sem o auxílio de textos: as imagens constroem, por meio da disposição nas páginas, uma bela narrativa.

Vemos um guerreiro determinado montado em seu cavalo que enfrenta uma série de perigos, mas em nenhum momento muda a expressão ou deixa de seguir na direção que quer. Quando a luta atinge o ápice, viramos a página e nos surpreendemos com o poder da imaginação! Com delicadeza Marconi traça um paralelo entre o mundo real e o da fantasia.

 

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Obras clássicas

Reinações de Narizinho – Monteiro Lobato
Capa de Reinações de Narizinho, livro do universo infantojuvenil, traz a personagem principal de vestido azul com peixeis brancos desenhados em primeiro plano.

Escrito por Monteiro Lobato em 1931, Reinações de Narizinho não só foi o livro que marcou a estreia do autor no universo infantojuvenil, como também foi o primeiro do gênero a trazer elementos tipicamente brasileiros para as histórias.

Lendas do folclore se mesclam com mitologia nos livros que formam a coletânea do Sítio do Picapau Amarelo, dando origem a Emília, Narizinho, Pedrinho, Tia Anastácia e muitos outros personagens icônicos da infância de gerações de crianças do país.

 

 

O Reizinho Mandão – Ruth Rocha
Capa de O Reizinho Mandão, livro do universo infantojuvenil, tem cores vivas e traz um menino com uma coroa na cabeça e um papagaio no ombro escrevendo com uma pena em um pergaminho.

Publicado em 1973, o humor crítico de Ruth Rocha foi impresso nas páginas de O Reizinho Mandão. A história fala de um menino, que também era Rei, mas não sabia se expressar. O reizinho mandava todos calarem a boca. De tanto calar, seus súditos desaprenderam a falar. A partir disso, ele parte em uma jornada na tentativa de reverter essa situação assustadora.

Com uma linguagem fácil, recursos de narrativa cativantes e de forma didática, a autora consegue trazer reflexões sobre democracia, liberdade e relações de poder.

 

Flicts – Ziraldo
Capa de Flicts, livro do universo infantojuvenil, traz um arco-iris centralizado, em fundo branco, com o nome do autor, Ziraldo, no alto.

O ilustrador, escritor e cartunista Ziraldo, muito reconhecido pelo livro O Menino Maluquinho, escreveu, em 1969, outra obra que se tornou conceituada entre os clássicos. Flicts conta a história de uma cor que não se encaixa, não tem espaço no arco-íris, não tem o reconhecimento das outras cores, como o Vermelho, o Amarelo e o Azul.

À medida que a narrativa avança, a busca de Flicts se torna a busca de todos nós por um lugar no mundo, e deixa claro que o respeito às diferenças nos tornam fortes, mostrando que tudo e todos têm um propósito.

 

Bisa Bia Bisa Bel – Ana Maria Machado
Capa de Bisa Bia Bisa Bel, livro do universo infantojuvenil, traz uma menina usando camiseta amarela em primeiro plano, com suas bisavós sentadas em seus ombros, uma de cada lado.

A história de Bel, uma menina curiosa e inquieta de 10 anos, foi publicada em 1981, mas continua a refletir os tempos atuais. Ana Maria Machado narrou o momento em que sua personagem encontra a foto da bisavó, Bia, e começa a se interessar pelo papel dessa figura na família e a se aventurar pelas descobertas dos antepassados.

Ela então cria uma bisneta imaginária e traça um paralelo entre passado, presente e futuro. Com uma linguagem solta e informal, Bisa Bia Bisa Bel envolve o jovem leitor no autoconhecimento de Bel em uma fase importante da vida: a passagem para adolescência.

 

Bolsa Amarela – Lygia Bojunga
Capa de Bolsa Amarela, livro do universo infantojuvenil, traz uma grande bolsa amarela desenhada.

O universo das vontades é trabalhado com maestria por Lygia Bojunga em Bolsa Amarela. Narra a história de uma menina que esconde três coisas: a vontade de ser escritora, de crescer logo e de ser um garoto.

Tudo isso é guardado em uma bolsa amarela, que será rejeitada pela família despreparada para lidar com os desejos dessa criança. Buscando refúgio em um mundo de imaginação e fantasia, o livro mescla situações do cotidiano com linguagem lúdica para guiar a personagem e o leitor a uma viagem de autoconhecimento.

Além das sugestões dos especialistas, listamos mais dois títulos que valem a leitura!Caderno de rimas do João e Caderno de rimas da Mari – Lázaro RamosO premiado ator, cineasta e apresentador Lázaro Ramos escreveu dois livros infantis baseados nos diálogos cotidianos travados com seus filhos João e Mari.

No Caderno de Rimas do João, o autor capta o mundo e o expressa em versos, compondo um dicionário afetivo e abordando temas que irão introduzir sutilmente poesia social e política no universo infantil.

Já em Caderno de Rimas da Mari traz o olhar deslumbrado de uma criança, que questiona tudo para, então, criar sua própria maneira de entender o mundo. Os dois livros foram lançados pela editora Pallas e trazem lindas ilustrações de Mauricio Negro.

Amoras – Emicida

Na música Amoras, do álbum Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa, o rapper Emicida, um dos mais influentes da atualidade, canta: “Que a doçura das frutinhas sabor acalanto/ Fez a criança sozinha alcançar a conclusão/ Papai que bom, porque eu sou pretinha também”.

A partir da música, ele criou seu primeiro livro infantil para reafirmar a mensagem do rap sobre a importância de nos reconhecermos no mundo e nos orgulharmos de quem somos desde criança. As ilustrações são de Aldo Fabrini e foi editado pela Companhia das Letras.



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