50 anos da internet: como a rede mundial de computadores transformou o mundo

24 de setembro de 2019

Criada em 1969, a internet continua a trazer cada vez mais possibilidades para a educação, o empreendedorismo e o voluntariado


Celebrado em 2019, os 50 anos da internet mostram como ela se transforma a cada dia. Criada primeiramente com objetivos acadêmicos e militares, a rede mundial de computadores, atualmente, oferece um universo de possibilidades que revolucionaram áreas importantes, como a educação, o empreendedorismo e até mesmo o voluntariado.

Interligar computadores para compartilhar dados foi um dos primeiros objetivos que deram início à história da internet, em 1969, ano em que o primeiro e-mail foi enviado. No dia 29 de outubro, um computador da Universidade da Califórnia se conectou a outro que estava na Universidade Stanford por meio de um e-mail. A partir disso, se criou uma, rede de comunicação, ainda restrita ao uso acadêmico, científico e militar.

Já nos anos 1990, o esqueleto do funcionamento da internet foi criado e a transformação se intensificou: o seu uso comercial foi permitido, foram criados sistemas operacionais, navegadores, softwares, sites, redes sociais, novos dispositivos de acesso e mais possibilidades continuam aparecendo.

“O marco da internet é que, antes, o conhecimento e as informações tinham dificuldade para circular. Hoje, temos uma explosão de informações, disponíveis para todos. Isso é sensacional, pois descentraliza o polo emissor de informação”, afirma Nelson Pretto, professor da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Novas possibilidades

A internet traz inúmeras possibilidades para as mais diferentes áreas. No empreendedorismo social ela permite, por exemplo, que um aplicativo atenda à demanda de transporte de uma área periférica, ou que empreendedores possam gerenciar melhor o seu negócio ou mesmo estimular a sua criatividade. Para empreendimentos online ou não, a internet é uma grande aliada.

Quando falamos em voluntariado, conseguimos envolver mais pessoas por uma causa usando a rede. Temos plataformas como a Atados, que dão opções de trabalho voluntário para quem se interessar. As doações online também se popularizaram e hoje ajudam muitas causas, permitindo que qualquer pessoa, em qualquer lugar, possa fazer a sua parte. É possível inclusive ser voluntário apenas pela internet, como mostra o chat do CVV (Centro de Valorização da Vida), que reúne voluntários em seu atendimento.

O setor de educação, por sua vez, é um dos que mais se beneficia da internet. Com ela, é possível promover iniciativas globais para transformar o ensino e a aprendizagem ou oferecer cursos gratuitos para a capacitação de educadores. A internet permite conhecer experiências de inovação educativa que estão acontecendo em outro continente, ou saber quais conhecimentos uma educadora de 82 anos compartilha em seu site.

O professor Nelson Pretto relembra que a web surgiu em meio à ideia de que o conhecimento é um bem comum. “Para a educação, isso é sensacional, porque dessa forma pudemos compartilhar conhecimento e ampliar as possibilidades dos processos educacionais. Podemos ver que a internet se expandiu, abriu várias frentes, ganhou dimensão planetária e se constituiu como um grande patrimônio”.

Instrumento de educação

“Vejo a internet como um instrumento que traz inúmeros benefícios para uma aula mais interativa, dinâmica e com mais possibilidades para o aluno aprender com facilidade”, define a professora Vilma Nascimento, da E.M. Manoel Domingos, em Vitória de Santo Antão (PE).

Trabalhando na instituição desde 2016, a profissional dá exemplo de como usa a internet para dinamizar o ensino e a aprendizagem. “Por exemplo, por meio do Google Earth e do Maps, posso trabalhar geografia. Fizemos uma aula na qual os alunos puderam visitar o Monte das Tabocas, fazendo percursos e calculando quanto tempo daria se fossem de ônibus, ou a pé, da comunidade do Oiteiro, onde fica a escola, para lá. Eles amaram, pois conseguiram visitar o local histórico sem sair do lugar”.

 

Os alunos também construíram o Diário Escolar da EMDM, “um blog para que os alunos façam matérias sobre a escola, entrevistas, poesias e possam postar as suas experiências”, conta a professora, que atua como mediadora das atividades, inclusive da produção dos conteúdos que vão para a internet. Os alunos ainda estão empolgados para criar um canal no YouTube para falar sobre alimentação saudável, conta Nascimento. “A internet chega para nos ajudar a ser uma ferramenta de interação dinâmica e compartilhar as experiências dos alunos com outras pessoas”, avalia.

Apesar dos desafios relacionados à segurança, fake news e ciberbullying, a internet ainda é um instrumento de inovação. A professora demonstra que o trabalho humano é fundamental para lidar com esse recurso. “O diferencial da Manoel Domingos [a primeira escola 100% digital do Nordeste] é a formação de professores, pois precisamos de atualizações constantemente. A formação abriu possibilidades para usarmos a internet como ferramenta de aprendizagem, buscando soluções para problemas reais da escola e da comunidade”, acredita.

Infográfico traz marcos dos 50 anos da internet, como lançamento do Facebook, em 2004, e do iPhone, em 2007. As datas estão dispostas em formato de linha do tempo, com grafismos em roxo e azul.


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