A matemática como forma de entender o mundo: veja projetos que unem a disciplina à tecnologia

23 de fevereiro de 2017

Alunos participantes do programa Pequenos Cientistas, da Escola Estadual Professora Elza Facca


Escola Elza Facca e Colégio Dante Alighieri usam robótica para despertar interesse de estudantes

Na era digital, muito se debate a respeito do papel da escola. Se o conteúdo pode ser encontrado na internet, como transformá-lo em conhecimento de maneira interessante? Como aplica-lo na prática?

Pensando nisso, duas instituições do estado de São Paulo elaboraram projetos de sucesso no ensino da matemática, trazendo o tema para o dia a dia dos estudantes e melhorando o desempenho em sala de aula.

O programa Pequenos Cientistas, da Escola Estadual Professora Elza Facca Martins Bonilha, na cidade de Campo Limpo Paulista, desenvolve os conhecimentos em matemática e física por meio da robótica.

Tudo começou em 2010, quando o educador Alan Barbosa de Paiva inscreveu a escola na Olimpíada Brasileira de Robótica. Após realizarem uma prova escrita, os estudantes tomaram a iniciativa de construírem algo prático, participando do Torneio Juvenil de Robótica.

“No início, trabalhávamos com materiais 100% recicláveis. Atualmente, profissionalizamos o projeto e já produzimos nossos próprios circuitos eletrônicos, aplicando conceitos de robótica, automação e ciência”, conta Paiva.

Robô produzido pelos alunos participantes do programa Pequenos Cientistas
Robô produzido pelos alunos do programa Pequenos Cientistas

Com a participação de até 30 integrantes, a equipe se reúne duas vezes por semana. O resultado do trabalho é apresentado anualmente em três competições: BSidesSP, Olimpíada Brasileira de Robótica e Torneio Juvenil de Robótica. “Participamos de disputas com robôs que lutam sumô e resgatam objetos perdidos”, explica o educador.

Pioneira em projetos de robótica, a escola hoje é procurada por outros colégios para consultoria sobre o tema. Em função disso, a evasão escolar caiu praticamente a zero e houve melhora no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) e Idesp (Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo) de português e matemática.

“Se o estudante não está presente, não pode participar das oficinas. O mesmo acontece nos programas de esportes”, exemplifica o educador. “Este olhar de investir em projetos é mérito da direção da educadora Elza Maria Zibordi.”

Segundo Paiva, cálculo, logística, trigonometria e medidas são alguns dos conceitos aplicados nos encontros. “A pesquisa ajuda a entender que o conhecimento adquirido em sala de aula tem uma finalidade.”

O mesmo acontece no Colégio Dante Alighieri, no centro de São Paulo. Por lá, cerca de 200 estudantes participam das aulas de robótica e programação. Para facilitar, a escola utiliza a plataforma Moodle.

De acordo com Valdenice Minatel, coordenadora-geral de Tecnologia, trata-se de um espaço onde o professor oferece conteúdos extras aos trabalhados em sala de aula.

Para complementar os documentos compartilhados no Moodle, são disponibilizados cursos para os alunos maiores de 9 anos, no contraturno escolar. Divididos em grupos, 200 inscritos aplicam conceitos como ângulo, distância e tração para construir robôs.

“É preciso aplicar cálculos bastante complexos, mas o desejo de realizar o projeto é superior à possível dificuldade do estudante em matemática ou física. Os mais velhos chegam a criar games”, diz a coordenadora.

Ainda na opinião de Valdenice, as oficinas são uma forma de desmistificar a disciplina, pois ela faz mais sentido quando é usada para solucionar algo real. “O estudante começa a valorizar esta área do conhecimento e chega à sala de aula com outro nível de engajamento. A matemática é linda, porque faz a gente entender melhor o mundo.”



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