Alfabetização: como escolas, cidades e Estados podem atuar em conjunto

23 de maio de 2019

A alfabetização em regime de colaboração é uma das maneiras de agentes públicos combaterem deficiências de um item fundamental para a educação no país

Imagem mostra uma mulher com uma criança olhando para uma apostila em cima de uma mesa de madeira

A mais recente avaliação nacional de alfabetização, de 2016, mostra que mais da metade dos alunos com oito anos de idade (em geral do 3º ano do ensino fundamental) não sabe ler em nível satisfatório. Segundo o levantamento, essas crianças não teriam conhecimento suficiente para localizar uma informação explícita em textos como lenda e cantiga folclórica. O dado mostra por que a alfabetização é um dos temas importantes para a educação nos próximos anos.

Apenas 13% das mais de 2 milhões de crianças avaliadas alcançaram o patamar desejável de leitura, mostra a avaliação. Quando olhamos para as regiões, o índice é de 6% no Norte, 7% no Nordeste, 13% no Centro-oeste, 16% no Sul e 18% no Sudeste. “O maior desafio para o país é promover equidade. Existem municípios, sejam grandes e com muitos recursos, sejam pequenos e com maiores carências, que já demonstraram ser possível alfabetizar as crianças na idade adequada”, afirma Guilherme Lacerda, secretário executivo do Movimento Colabora Educação.

O especialista diz que a alfabetização de todas as crianças precisa ser prioridade máxima dos Municípios, que devem aplicar os recursos disponíveis para isso com atenção especial a itens como material didático, formação continuada de alfabetizadores e contribuição de outros agentes de apoio à alfabetização, além da troca de boas práticas entre escolas, gestão municipal e estadual.

 

Colaboração e trocas

Lacerda afirma que a criação do programa de alfabetização em regime de colaboração pode envolver as esferas federal, estadual e municipal.

O Governo Federal, a partir de uma pactuação de objetivos e ações com os Municípios, pode lançar mão de ações como avaliação diagnóstica e continuada que indique os principais pontos de melhoria, material didático de qualidade e formação de alfabetizadores, diz. “No caso de uma política do MEC, o ponto de atenção é garantir que não se ‘engesse’ um modelo único. Por exemplo: em alguns Estados pode fazer sentido a parceria com universidades para a formação continuada; em outros, não”.

Os Estados também podem agir individualmente para melhorar os índices de alfabetização. “A secretaria estadual pode apoiar em termos gerenciais, logísticos e financeiros. Pode promover a troca de boas práticas e a cooperação entre os Municípios. Pode criar um ambiente em prol da política de alfabetização em todo o território, por meio de ações de engajamento e premiação. Em uma política colaborativa o interessante é que se pode ir além do que os Municípios conseguiriam individualmente”, explica.

Em relação aos Municípios, Lacerda afirma que a pouca capacidade de gestão e financiamento de algumas cidades representa um desafio. Mesmo assim, existem algumas indicações já conhecidas de como se avançar na alfabetização, como investimento em material didático, foco irrestrito à alfabetização, boa formação de professores e cooperação com Municípios vizinhos.

“A colaboração entre Municípios tem um potencial ainda maior de avanço do que a política com o Estado, porque é algo que não depende dele. As cidades entre si podem fazer isso, compartilhando boas práticas e se alavancando nesse assunto”, afirma.

 

Exemplos para a alfabetização

“Há muita coisa mudando, e muito rápido, na educação brasileira”, diz o secretário executivo do Movimento Colabora, “principalmente em relação à BNCC, financiamento e Ensino Médio”. “É preciso esforço para melhorar a formação de professores de maneira ampla. O desafio é conseguir focar nas boas práticas de alfabetização nesse momento de ampla transformação na educação como um todo”.

Uma delas é a plataforma TRILHAS, parceria da Fundação Telefônica Vivo com o Instituto Natura para educadores aprimorarem seus conhecimentos em relação à alfabetização. Um dos cursos oferecidos lá é a Leitura em Voz Alta pelo Professor, que chama a atenção para os impactos positivos na formação de alunos leitores com a prática de se ler em voz alta em sala de aula. O curso discute as principais condições didáticas para a realização da leitura com os alunos por meio de vídeo, transcrição de conversas literárias e embasamento teórico.

Outra iniciativa, citada por Lacerda, é o prêmio Escola Nota 10, do Ceará. “As escolas de pior desempenho recebem incentivo financeiro para melhorar. Os pagamentos, tanto para as melhores como para as piores escolas, é dividido em duas parcelas. A segunda só é paga caso cada escola de melhor desempenho monte um plano de melhoria junto a uma escola de pior desempenho e se, no ano seguinte, as escolas auxiliadas demonstrarem avanços”.

O especialista afirma que as trocas realizadas entre as escolas mostram como os professores alfabetizadores organizam suas aulas, aplicam exercícios, utilizam o material didático, avaliam o desenvolvimento dos alunos e outras práticas educacionais que contribuem para melhorar os índices de alfabetização.

Especial Educação Já

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