Alfabetização digital: projeto busca inclusão de mulheres em vulnerabilidade social

14 de março de 2017
Mulheres em aula do projeto Alfabetização Digital em Londrina

Mulheres em aula do projeto Alfabetização Digital em Londrina


Casa da Mulher e Universidade Tecnológica Federal do Paraná oferecem curso gratuito

O “3º Relatório Global sobre Aprendizagem e Educação de Adultos” (Global Report on Adult Learning and Education – GRALE III), lançado no dia 15 de fevereiro, revela que a desigualdade de gênero ainda é uma preocupação na educação.

De acordo com a publicação da Unesco, a maioria dos excluídos das escolas do mundo é formada por meninas. Entre elas, 9,7% não estudam. A taxa de meninos sem escolarização cai para 8,3%. Na mesma perspectiva, 63% dos adultos com baixas habilidades de alfabetização (dificuldades em ler e escrever) são do sexo feminino.

Ainda segundo o relatório, a educação de mulheres tem fortes efeitos secundários sobre as famílias e a educação dos filhos, assim como um grande impacto no desenvolvimento econômico, na saúde e no engajamento cívico.

Compreendendo a importância de promover a igualdade de gênero na aprendizagem e na educação para adultos, a Casa da Mulher e a Universidade Tecnológica Federal do Paraná desenvolvem o projeto Alfabetização Digital, em Londrina.

De acordo com Lisnéia Rampazzo, psicóloga do projeto, o objetivo é oferecer conhecimento às mulheres, para que elas busquem empoderamento e autonomia, em uma sociedade tão desigual em gênero.

A Casa da Mulher é uma iniciativa da Secretaria Municipal de Política para Mulheres de Londrina e atende vítimas de violência, além de buscar a geração de renda e inclusão produtiva. “É dentro desta segunda área que visamos à inclusão digital daquelas que estão em situação de vulnerabilidade social e econômica”, conta Lisnéia.

Segundo a psicóloga, por falta de oportunidade, muitas alunas nunca acessaram um computador e nem mesmo a internet. “Elas ficam na dependência de alguém, como filhos e netos. Isso faz com que elas se sintam excluídas socialmente”, diz. “No curso, cada estudante é acompanhada por um monitor e recebe orientação individualizada.”

Ainda de acordo com a profissional, a exclusão tem impacto no mundo produtivo. “Se a mulher começa a ter acesso à tecnologia, ela tem mais chances de se inserir no mercado de trabalho, até mesmo para procurar vagas e enviar currículo, além da capacitação. Um segundo aspecto é a autoestima e a autonomia. Quando a pessoa não depende mais de ninguém para ter essa comunicação, ela se sente incluída digitalmente.”

Como funciona

A cada seis meses, é aberta uma turma do curso de Alfabetização Digital. As aulas ocorrem durante um trimestre, uma vez por semana, por 1h30. Os monitores são alunos da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, que se inscrevem voluntariamente.

Segundo Nazira Hanna Harb, professora de matemática da instituição e organizadora do projeto, as aulas não seguem um cronograma. “Deixamos as alunas livres para aprenderem o que acham mais necessário, até porque cada uma tem conhecimento e experiência diferentes”, explica Nazira.

As turmas geralmente são compostas por até 15 alunos e as aulas são na universidade. As inscrições são abertas para mulheres acima de 18 anos, mas a procura maior é de pessoas de 40 a 70 anos, em situação de vulnerabilidade social. A próxima turma será aberta na segunda quinzena de março.



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