As escolas na Alemanha que incentivam a troca de saber com a natureza

06 de abril de 2018

Nas Escolas da Floresta, crianças têm aulas ao ar livre e recebem uma formação que valoriza a natureza como mestra do aprendizado

Três crianças brincam em meio a árvores em uma floresta na Alemanha.

Subir em árvores, plantar sementes, identificar pegadas de animais durante uma caminhada pela floresta não são atividades frequentemente relacionadas ao ensino infantil tradicional. Mas em escolas na Alemanha, sim.

O WaldKinderGarten faz uso desses métodos alternativos, operando como um verdadeiro jardim de infância. As crianças têm aulas ao ar livre e recebem uma formação que valoriza a natureza como mestra do aprendizado.

Esse princípio faz parte de uma rede de ensino conhecida como Escolas da Floresta, que surgiu em 1950, na Dinamarca. Ela se baseia na crença de que o contato com a natureza está diretamente relacionado à transformação do mundo. As Escolas da Floresta incentivam o livre brincar em espaços fora da sala de aula para incentivar o aprender multidisciplinar e a troca de saberes com o meio ambiente durante a primeira infância.

Famosos pelas temperaturas baixas, que podem chegar à -35ºC no inverno, os países escandinavos incorporaram essa metodologia e provaram que suas crianças podem adaptar-se ao clima para desenvolver a criatividade e o respeito pela individualidade.

Na Alemanha esse modelo já alcançou cerca 1.500 escolas, que com ajuda financeira do governo e de doações espalharam-se por todo o país. O método deu tão certo que inspirou escolas no Canadá, nos Estados Unidos e até mesmo na China.

 

Rotina e aprendizado

A psicopedagoga Quezia Bombonatto conta que a rotina de interações diretas com o meio ambiente pode influenciar significativamente no aprendizado. “A criança está na fase da concretude, o ensino para ela deve ser associado a situações vivenciadas e agregar conhecimento a partir dessas experiências”, diz.

O dia nessas escolas começa repleto de vivências envolvendo expedições pela floresta, manuseio de materiais e brincadeiras ao ar livre. “Quanto mais sentidos eu exploração do ambiente, mais significados eu estou dando à aprendizagem, estimulando a criatividade e a percepção de detalhes”, diz Quezia. Segundo ela, muitas vezes o ensino tradicional ignora esse olhar integral do indivíduo, se preocupando muito mais em evidenciar normas e formas acumulativas de transmissão do conteúdo.

Na natureza, a sabedoria vem do descobrir, da liberdade de escolha e das regras que se revelam espontaneamente. Quezia explica que os impedimentos e limites aprendidos neste contexto traduzem-se em respeito à vida, ao espaço e à diversidade do próximo, construindo valores e caráter de um cidadão transformador.

 

E no Brasil?

No Brasil, encontramos iniciativas similares às do WaldKinderGarten, como a Escola Vila Verde, em Goiás e a Cidade Escola Ayni, no Rio Grande Do Sul  (veja vídeo aqui!). Há inúmeras metodologias que já usam a natureza como espaço de ensino, e muitas escolas incentivam valores parecidos de autonomia e desenvolvimento intrapessoal, através de outras iniciativas.

“Podemos propiciar um outro olhar sobre o que acontece fora da sala de aula. Mesmo que não seja na floresta. É importante que a criança tenha, dentro do seu desenvolvimento, oportunidades de fazer suas escolhas. Se o conteúdo pedagógico não fizer um sentido para criança, ele não funciona”, explica Quezia.

 

No documentário Janelas de Inovação você conhece outras iniciativas educacionais inspiradoras que estão transformando realidades. Em uma verdadeira viagem pelo Brasil, cada um dos 40 episódios produzidos e dirigidos por jovens dos projetos Geração Futura Universidades Parceiras e Curtas Universitários mostra como a criatividade e o olhar individualizado podem estimular e inspirar novas experiências na Educação. Com apresentação da escritora e filósofa Viviane Mosé, Janelas de Inovação é um projeto em parceria do Canal Futura e da Fundação Telefônica Vivo.


Deixe uma resposta aqui