As tendências do ensino a distância para educadores

01 de novembro de 2019

Realidade virtual, ensino híbrido, redes sociais e a importância do fator humano foram alguns dos conceitos apresentados no Congresso ABED 2019


As possibilidades da tecnologia para o ensino e a aprendizagem foram abordadas no 25º Congresso Internacional da Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED),  realizado na cidade de Poços de Caldas/MG entre 21 e 24 de outubro. Reunindo mais de 2 mil pessoas, o evento contou com 60 expositores e cerca de 900 atividades como palestras, minicursos e rodas de conversa sobre educação a distância (EAD), educação presencial e ensino híbrido, que mescla as duas modalidades.

Para o presidente da ABED, Fredric Michael Litto, é preciso aliar o melhor que a educação a distância e o ensino presencial têm a oferecer. “A educação nunca teve tanta riqueza de variedade informativa. Nenhum aluno, recebendo essa gama de apresentação de conhecimento, vai reclamar de aulas tediosas ou descoladas da realidade”, defende.

 

Tendências no ensino-aprendizagem

O Congresso ABED trouxe uma série de tendências em ensino e aprendizagem em um cenário que já está em transformação: o número de vagas ofertadas pelo ensino superior a distância em 2018 superou, pela primeira vez, a quantidade de vagas em cursos presenciais, segundo o Inep. Foram 7.170.567 vagas remotas e 6.358.534 vagas locais. Além disso, o evento mostrou que o ensino híbrido, que mescla ensino a distância e presencial, será cada vez mais comum ao longo dos anos.

Uma das experiências trazidas ao evento foi a do professor Gabriel Darezzo, que trabalha matérias como História e Geografia em grupos no WhatsApp com alunos do 9º ano. “Eram grupos exclusivos para uso pedagógico. Ninguém enviou figurinhas ou gifs: eles respeitavam a finalidade do grupo”, contou. “A rede de alunos se apoiou e os próprios estudantes apontam que o WhatsApp os ajudou no processo de aprendizagem. Os alunos já interagem entre eles, falta apenas que o professor faça a mediação desses diálogos”, complementou.

Já em relação à realidade virtual e realidade aumentada, o diretor da Algetec, Vinicius Dias, explicou como os recursos impactam a educação. “A realidade virtual é aquela que transporta o aluno do ambiente no qual está para outro em que poderá aprender mais. No caso da realidade aumentada, ela permite que, no ambiente real do aluno, ele tenha acesso a elementos digitais que dialogam com a sua realidade”, explicou.

Essa demanda por mudança é importante para melhorar a educação, diz Rita Tarcia, coordenadora pedagógica da UNICSUL. “Aprender significa mudar, e é preciso mudar para evoluir. No caso do EAD, não basta apenas se interessar: é preciso aprender suas vantagens para acompanhar o avanço tecnológico”.

Mesmo com toda a tecnologia envolvida na educação a distância, Enzo Moreira, diretor corporativo EAD do Grupo SER Educacional, afirma que as pessoas sempre serão essenciais para que o ensino híbrido seja bem sucedido. “A força tecnológica ajuda muito, mas o fator humano segue fundamental. Capacitar professores para lidar com a tecnologia é o segredo do sucesso. Precisamos fazer com que os professores saibam instigar colegas e alunos a usar a tecnologia”, afirmou.

A necessidade de formar educadores é real: enquanto 76% dos professores utilizaram a internet para desenvolver ou aprimorar conhecimento sobre o uso de tecnologias nos processos de ensino e aprendizagem, apenas 30% dos professores afirmaram ter participado de algum programa de formação continuada no último ano, segundo a pesquisa TIC Educação 2018, citada no congresso.

Imagem mostra auditório onde se vê os palestrantes sentados à mesa e a plateia do Congresso ABED 2019
O Congresso ABED trouxe uma série de tendências em ensino e aprendizagem em um cenário que já está em transformação

 

Fazendo a diferença

Uma das iniciativas abordadas no evento foi o projeto Escolas Conectadas, iniciativa do ProFuturo, programa de educação global da Fundação Telefônica Vivo e Fundação ”la Caixa”, que oferece a professores da educação básica formação continuada de forma totalmente gratuita. Os cursos do projeto estimulam professores a desenvolverem práticas mais colaborativas, inovadoras e digitais nas escolas, formando nos alunos as competências do século XXI.

Denise Padilha Lotito, consultora de projetos sociais na Fundação Telefônica Vivo, apresentou o Escolas Conectadas durante a ABED. “O objetivo do programa é permitir que professores adotem práticas pedagógicas colaborativas, digitais e que estejam alinhadas às necessidades da sociedade contemporânea”, afirmou.

A participação em fóruns da plataforma é um dos principais diferenciais do projeto, diz a especialista. “As atividades que os professores realizam nos fóruns, publicando propostas de práticas pedagógicas, lendo e comentando as publicações dos colegas, promovem uma troca de informações que é considerada uma metodologia ativa, afinal você aprende ao discutir e repensar a sua prática em sala de aula”, diz.

O que os professores sentem mais falta é a troca de informações com seus colegas, afinal “o educador experimenta situações em sala de aula e precisa conversar com seus colegas para descobrir como lidar com situações que, a princípio, eles não sabem resolver”, pondera Denise. “Na plataforma, os professores contam o que fazem em sala, buscam soluções, indicam cursos e contribuem uns com os outros, deixando de se sentir solitários”.

A plataforma Escolas Conectadas oferece 595 horas de formação em 26 cursos mediados, com certificação reconhecida pelo MEC. O fato de ser totalmente a distância é uma vantagem que está alinhada aos objetivos do projeto, de acordo com a consultora de projetos sociais.

“Queremos contribuir para melhorar a formação de professores. Temos no Brasil 2,2 milhões de professores na educação básica, que são o foco do projeto. Como formar presencialmente todas essas pessoas em um território continental como o Brasil? Por ser EAD, o Escolas Conectadas é uma forma de democratizar a formação e alcançar mais pessoas”, opina.



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