Bagaço da cana vira arte e renda para quem vive na rua

08 de fevereiro de 2018

Sediado no Brás, em São Paulo, projeto Arte e Luz da Rua usa bagaço como matéria prima para a elaboração de luminárias

Em feiras de artesanato, luminárias feitas com bagaço de cana são vendidas pelo Projeto Arte e Luz da Rua

Apesar da fluência no português, o sotaque de Hedwig Knist não nega suas origens alemãs. A ativista de 53 anos chegou ao Brasil aos 26, para realizar trabalhos voluntários ligados à igreja católica. A experiência que duraria seis meses se prolongou até os dias de hoje e teve como fruto o projeto Arte e Luz da Rua.

Sediada no Brás, em São Paulo, a iniciativa surgiu efetivamente em 2000, quando Hedwig e parceiros da Pastoral do Povo de Rua encontraram o bagaço de cana como matéria prima para a elaboração de luminárias. Em 2012, quando saiu da Pastoral, a idealizadora seguiu com as atividades de maneira independente.

Segundo ela, a ideia era criar um grupo mais autônomo, o que resultou na transformação das oficinas em um empreendimento social de geração de renda. “Um dos objetivos é a reintegração social dessas pessoas, pois muitas vezes elas conseguem emprego, mas não se adaptam por falta de postura adequada”, explicou Hedwig.

Quando se acostumam a seguir regras e rotinas no projeto, os participantes conseguem se reinserir no mercado de trabalho com mais facilidade. “Esse é o maior aprendizado: ter de chegar a um local, na hora marcada, e desempenhar atividades com começo, meio e fim”, comentou a idealizadora.

Como funciona

Uma vez por semana, o grupo se organiza para buscar bagaço de cana em feiras e pastelarias. Levada à oficina, a fibra da casca é separada e processada. Por fim, ela é aplicada em uma estrutura de arame quadriculada, de acordo com o molde da luminária.

O cronograma de trabalho segue a necessidade de entregas: quando não há encomendas, a produção é mais livre. Nesse caso, a venda é realizada em feiras de artesanato e eventos, por colaboradores e pelos próprios integrantes que apresentam vocação para o comércio.

“É um desafio trabalhar com população de baixa renda. A economia solidária também enfrenta dificuldades em relação ao comprador, que muitas vezes quer desconto, sendo que não temos uma margem grande de lucro. Apesar disso é emocionante acompanhar a transformação positiva dos participantes”, completou Hedwig.

 

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