Como a escola pode ajudar a combater repercussão de fake news?

11 de junho de 2018

Inspire-se no caso de um professor que criou com seus alunos um laboratório de checagem de notícias. Confira também um checklist que ajuda a atestar a veracidade de uma informação

Estudantes sentados em grupo usando computador

Comer fruta em jejum evita doenças. A indústria farmacêutica não quer que você saiba, mas água cura o câncer. Papa Francisco recomenda que fieis deixem de seguir a Bíblia. O compartilhamento massivo de notícias falsas como essas já é praxe em grupos de redes sociais.

Segundo estudo recente do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, as chamadas fake news, notícias falsas em português, têm 70% mais chance de viralizar do que notícias verdadeiras. E as que mais circulam por aí são as inusitadas, que apresentam alguma novidade ou inspiram sentimentos como revolta, medo e surpresa.

Segundo um estudo realizado pela Universidade de Stanford, também nos Estados Unidos, com 8 mil alunos do ensino médio e universitário, 82% dos jovens não conseguem distinguir uma notícia real de um conteúdo patrocinado. Além disso, muitos julgam a credibilidade de um post no Twitter pela quantidade de detalhes que ele contém ou pelas imagens anexadas, não pela fonte.

Ao perceber que seus estudantes estavam suscetíveis às mentiras veiculadas pela internet, o professor de ciências Estêvão Zilioli criou um laboratório semanal de checagem de notícias com seus alunos do Colégio Super Ensino, de Ourinhos, a 360 quilômetros de São Paulo.

“Os alunos vinham com questionamentos absurdos por serem consumidores passivos de conteúdo da internet. Mesmo quando resolviam checar as notícias que recebiam, usavam critérios pouco recomendáveis, como o número de blogs e sites que deram a mesma notícia”, explica o professor.

Assim, a saída foi munir os estudantes de conhecimento. “A ideia é que eles aprendam a analisar criticamente o conteúdo que recebem e encontrem formas de checar as informações, como a busca por fontes originais, pesquisas em artigos científicos e acadêmicos ou em sites oficiais, como Ministério da Saúde e IBGE”, conta Zilioli, que, pelo desenvolvimento do projeto, entrou para a lista de educadores inovadores certificados pelo Google.

Todo o conteúdo produzido pelos alunos, assim como um termômetro que indicará o nível de veracidade de cada uma das notícias analisadas pelo grupo, ficará disponível gratuitamente a partir do segundo semestre, num site que ainda não existe, mas já tem nome: Hoax Busters (ou Caça-boatos, em tradução livre do inglês).

 

Letramento midiático

A capacidade de analisar criticamente o conteúdo que se consome é uma das competências fundamentais para o século XXI. Não basta só estar na internet, é preciso descobrir, avaliar, sintetizar e produzir informações, como defende Mariana Ochs, educadora e fundadora do MidiaMakers, voltado para a capacitação de professores em mídias digitais.

“O termo fake news não dá conta da complexidade desse ambiente de desinformação na internet”, diz Mariana, que defende o letramento digital de estudantes como saída para sair da passividade. “Isso passa por fazer buscas mais qualificadas, entender se um infográfico está escondendo ou revelando informação, avaliar se o conteúdo é tendencioso, patrocinado, se veio de fonte confiável”, diz.

O tema foi assunto de um evento realizado em abril, em São Paulo, como apoio do Google Innovators e das Chicas Poderosas, além do próprio Media Maker. O Mediathon Educação para Informação reuniu mais de 60 educadores, jornalistas e designers para a criação de produtos que auxiliem o letramento digital nas escolas. Os projetos podem ser conferidos aqui e muitos já podem ser utilizados nas escolas.

Buscou, achou!

Recebeu aquela informação suspeita? Você pode fazer uma busca rápida em sites exclusivamente dedicados a desvendar boatos espalhados pelas redes sociais. Os mais conhecidos são Agência Lupa, E-Farsas, Boatos.org e Fake ou News.

A plataforma Dialogando também fornece material sobre navegação segura na internet com dicas para separar fato e ficção nas redes. Criada por iniciativa da Vivo, a ferramenta propõe abrir uma discussão sobre tudo o que acontece na rede, incluindo outros assuntos como privacidade, uso excessivo da internet e relacionamentos on-line.

Quer saber se está diante de uma notícia falsa? Confira o checklist a seguir elaborado com ajuda dos especialistas ouvidos para esta reportagem. Quanto mais alternativas você assinalar, mais chances de ser uma fake news!  Aproveite e compartilhe essa informação com seus alunos, professores, amigos e familiares.

 

- Leitura crítica e contextualização das informações . Sem data de publicação ou data antiga; . Conteúdo tendencioso e/ou patrocinado; . Site desconhecido; . Tom de sátira ou humor; . Excesso de adjetivos. - Checagem de fontes . Autor não identificado; . Autor identificado, mas não produziu outros conteúdos relevantes; . Autor militante ou filiado à partidos políticos; . Conteúdo veiculado apenas por redes sociais (normalmente por perfis falsos); . Falta de informação ou fontes não identificadas. - Verificação de áudio, imagem e vídeo . Imagem ou vídeo parecem manipulados; . Data de publicação da imagem, áudio ou vídeo não é atual ou não condizem com o contexto em que a foto ou o vídeo estão inseridos; . A busca reversa no Google, que é quando você busca usando o arquivo ou endereço da imagem para ver onde ela foi publicada, não traz resultados relevantes; . Áudio ou vídeo gravado por desconhecidos; - Análise do título/manchete . Tom alarmante ou exagerado; . Incoerente com o resto do texto; . Traz dados sem creditar a fonte. - Checagem de informações científicas . Dados e fontes desconhecidos; . Informação não consta em sites oficiais, como Ministério da Saúde, Anvisa ou páginas de universidades; . Pesquisadores citados não possuem página oficinal ou não estão filiados à nenhuma instituição; . Tom de verdade absoluta.

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