Como ensinar programação nas escolas de forma inovadora e divertida

01 de novembro de 2019

Inspirados pelo movimento mundial Hora do Código que acontece de 4 a 10 novembro no Brasil, o professor Michael Moraes dá dicas de como usar a metodologia do Programaê! em sala de aula para a construção de conhecimento.


Aprender a programar é mais simples e divertido do que parece! É esse o princípio do movimento global Hora do Código. Criado pela Code.org, a iniciativa mostra a educadores, jovens, crianças ou qualquer interessado no universo da programação, o que é possível aprender sobre o tema em apenas uma hora.

Foi justamente essa proposta gamificada e educativa que chamou a atenção do arquiteto de software, Michael Moraes, e do seu filho Matheus Moraes, conhecido como Teteus Bionic, para o potencial transformador que os códigos podem trazer.

Trabalhando com softwares e desenvolvimento de projetos desde os 14 anos de idade, Michael já tinha o hábito de compartilhar seus conhecimentos com os colegas. Mas foi a chegada do filho Matheus que o inspirou a seguir o caminho de ensinar programação para crianças.

Criado por uma parceria entre a Fundação Telefônica Vivo e a Fundação Lemann, o Programaê! é um movimento que incentiva o uso do pensamento computacional em práticas pedagógicas e a construção de conhecimento por meio da linguagem de programação. Dentre os projetos apoiados, está a Hora do Código, movimento mundial que acontecerá de 04 a 10 de novembro no Brasil.

A plataforma agrega cursos e conteúdos gratuitos e proporciona uma aprendizagem significativa e alinhada com as competências da Base Nacional Comum Curricular e com a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, da Organização das Nações Unidas.

Quando seu filho completou 7 anos, Michael notou que ele gostava muito de jogos de computador e entendia muito sobre o assunto. Sabendo disso, decidiu procurar metodologias sobre programação voltadas para crianças e chegou até o movimento Hora do Código e o Programaê!, iniciativa da Fundação Telefônica Vivo e da Fundação Lemann, que é uma das principais apoiadoras da Hora do Código no Brasil.

“Dei o estímulo inicial e depois deixei que Teteus seguisse seu desenvolvimento sozinho, apenas acompanhando-o para ver se tinha alguma dúvida. Quando a gente quer aprender algo, ninguém precisa insistir muito”, conta. “Com 7 anos e meio, ele já dominava os códigos e começamos a pensar juntos em formas de multiplicar esse conhecimento para outras pessoas”, detalha.

Imagem mostra Teteus Bionic em pé na frente dasala de aula, com crianças sentadas em mesas com computadores.
Teteus Bionic, filho do professor Michael, em uma de suas aulas sobre programação para crianças

 

Educando para novas gerações

Michael e Teteus passaram a oferecer aulas fixas e gratuitas de programação para crianças atendidas por uma ONG de projetos educacionais em Mauá, município de São Paulo, onde moravam. Durante um ano, Michael aplicou as aulas, utilizando o material didático do Programaê! e da Hora do Código, além de outras metodologias, enquanto Teteus ficava ao seu lado como assistente. Depois desse período de experiência, o pai passou a incentivar o filho a tentar dar aulas sozinho.

Com o passar das semanas, Michael começou a perceber que as crianças estavam desenvolvendo seus projetos, fazendo os exercícios e se divertindo no processo, já que tinham uma liberdade criativa para realizar as atividades propostas, que não são facilmente encontradas no modelo de educação tradicional. Ainda assim, o programador reconhece o desafio dos educadores para alcançar as crianças dessa geração.

“A criança do século XXI não é mais o estudante de antigamente, ensinado a obedecer às ordens. Hoje em dia, ela recebe tantos estímulos, que se você tentar agir diferente, ela não vai prestar atenção em você. A gente percebeu que as crianças entram na sala de aula muito ansiosas, querem mexer e usar o computador. Se você tira esse momento delas, e já começa com algum conceito, elas não vão reter conhecimento algum”, acredita.

A regra é não ter regras!

Uma vez entendida a dinâmica de seus estudantes, Michael pensou em uma forma diferente de ensinar. O primeiro passo era tornar o ambiente seguro e inspirador. Ele e Teteus começavam a aula dizendo que a primeira regra nas aulas de programação era: não há regras! A única responsabilidade dos estudantes seria ouvir quando os colegas e professores expressassem uma opinião.

Outra estratégia é reservar os primeiros minutos da aula para os estudantes brincarem à vontade no computador. Depois, o conteúdo é apresentado com tempo para realizar os exercícios. Michael ressalta que o professor funciona como um facilitador, mas o processo deve ser das crianças. Ao final, há um espaço para colocar em prática o que foi aprendido em sala de aula.

Infográfico mostra o roteiro de aula do professor Michael

 

 

Pensamento Computacional para a vida

“O mais interessante do Programaê e de iniciativas como a Hora do Código, são os temas divertidos, que fazem parte do cotidiano da criança e facilitam a absorção. Além disso, a plataforma permite acompanhar os comandos específicos que se relacionam com a vida real. Isso é muito positivo para o aprendizado!”, afirma Michael.

O professor ainda destaca a importância de introduzir noções de programação e a lógica do pensamento computacional no início da formação das crianças, por se tratar de uma competência que pode ser deslocada para todas as outras áreas da vida.  “Mais do que o conhecimento sobre programação, trata-se de saber identificar uma necessidade e os passos para chegar até a resolução desse problema. A intenção é criar outras formas de pensar para que as crianças tenham acesso a outras escolhas de vida”, finaliza.

Faça parte da Hora do Código com a sua escola!

Entre os dias 04 e 10 de novembro de 2019 a Hora do Código promove uma jornada para educadores no Brasil com o tema: Ciência da Computação para o Bem – ou, em inglês, #CSforGood. A participação é gratuita e colaborativa. Não é necessário ter conhecimento prévio em programação. A ideia é aceitar o desafio de programar por uma hora, por meio das trilhas de aprendizagem, e depois é só continuar praticando! Também é possível organizar um evento da Hora do Código na sua escola ou na sua comunidade.

Até o momento, mais de 12 mil professores já se inscreveram e estão prontos para levar a programação para suas escolas. A experiência contará, também, com três oficinas presenciais: uma em Salvador (BA) e duas em São Paulo.

Para ver o manual completo da Hora do Código, tirar dúvidas e inscrever sua escola, acesse a página oficial do movimento!



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