Congresso GIFE 2018 promove reflexão sobre democracia e diversidade

11 de abril de 2018

Durante três dias, representantes do terceiro setor se reuniram no GIFE 2018 em busca de caminhos inovadores para o investimento social no Brasil

Mesa composta por 7 pessoas, com painel atrás onde se lê “Qual Brasil – Olhares além do agora”

Fortalecimento da sociedade, democracia, diversidade e inovação como motor de um investimento social efetivo foram as bandeiras levantadas na 10ª edição Congresso GIFE (Grupo de Institutos Fundações e Empresas), um encontro bianual que reúne os grandes nomes do terceiro setor do país.

Com o tema Brasil, democracia e desenvolvimento sustentável, o evento contou com 48 painéis de discussão, quase 200 palestrantes e 750 inscritos, além de centenas de pessoas que circularam entre os dias 4 e 6 de abril pela sede da Fecomercio, em São Paulo.

Na abertura, a presidente do conselho Neca Setúbal afirmou ser hora de arriscar. “Vivemos em uma sociedade com muros reais e simbólicos que perpassam todos os espaços”, declarou à plateia. “O momento é de assumir partidos e articular vozes em busca de pluralização”.

Como uma das apoiadoras do congresso, a Fundação Telefônica Vivo participou de debates sobre gestão de talentos, equidade na educação e inspirações para o investimento social privado. O diretor-presidente Americo Mattar destacou o espaço para diversas vozes como marca do GIFE 2018.

“Num momento em que nossa sociedade está dividida em questões maniqueístas de nós contra eles, o GIFE está discutindo a importância de vencermos barreiras para olharmos o Brasil como um só. Chega de ser o país do futuro, vamos ser o país do presente”, disse.

 

Nova ótica para um contexto antigo

No debate sobre Gestão de pessoas, a Fundação Telefônica Vivo foi representada por Odair Barros, gerente de planejamento e finanças, como um caso de atração e retenção de talentos. “O trabalho com as lideranças, a cultura do feedback e propósitos bem definidos fazem a diferença”, aconselhou à plateia.

Juventude foi o tema de outro painel que discutiu caminhos para que o investimento privado amplie a oferta de empregos e oportunidades aos jovens brasileiros. Já o debate Qual Brasil? Olhares para além do agora, um dos mais esperados do evento, trouxe uma discussão sobre o atual momento político do país.

“Para que as coisas mudem, primeiro temos que reconhecer que existem vários ‘Brasis’, nos quais as diferenças significam desigualdades. E que pressões estruturais dividem a sociedade”, declarou a pesquisadora e filósofa  Djamila Ribeiro, uma das mais aplaudidas da bancada.

Mediado por Americo Mattar, o painel Novas soluções para problemas complexos discutiu inovação no investimento social, que passa por visão de longo prazo, valorização de erros e descentralização de ideias. “A inovação é o caminho para que a gente ganhe força e sinergia para gerar impacto real, de modo que nossos esforços não sejam apenas ilhas de excelência”, disse.

 

Educação não ficou de fora

Os institutos e as fundações sociais investiram no país em média R$ 2,8 bilhões por ano nos últimos 5 anos. E somente em 2016, R$ 926 milhões foram destinados a educação. Apesar disso, os indicadores sociais evoluíram lentamente nos últimos quinze anos. O porquê foi discutido pelo painel Educação Já: fronteiras para articulação e impacto pela educação no país.

“Está cada vez mais claro que precisamos de uma abordagem estruturante e estratégica”, acredita Olavo Nogueira, do Todos pela Educação. Binho Marques, do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), defendeu um sistema nacional de educação como saída para resolver impasses de maneira sistêmica.

A implementação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), priorização da aprendizagem na pauta política e gestão dos recursos alocados também foram temas debatidos no GIFE, que encerrou com um discurso otimista de que novos olhares, escuta aberta e responsabilização podem inspirar o desenvolvimento social privado brasileiro.

  • Odair Barros apresenta case da FTV
    Odair Barros apresenta case da FTV
    “Definição de propósito é fundamental para que as pessoas se sintam motivadas a trabalhar”, disse Odair Barros ao justificar engajamento de voluntários em programas empresariais.
  • Painel Juventude
    Painel Juventude
    Kátia Edmundo (CEDAPS), Bianca Kapsevicius (Ponto Social), Laura Zellmesteir (J.P. Morgan & Co) e Cristiane Nascimento (Fundação Odebrecht) discutem sobre o papel do investidor privado no empoderamento dos jovens “nem-nem”, que não trabalham, não estudam e não fazem qualquer qualificação profissional.
  • Doação Fundo Baobá
    Doação Fundo Baobá
    Em homenagem à vereadora assassinada Marielle Franco, o Fundo Baobá de equidade social recebeu, durante o GIFE, uma doação de US$ 3 milhões para incentivar e apoiar as mulheres negras que aspiram à liderança política no Brasil.
  • Inovação no investimento social
    Inovação no investimento social
    Anna Penido (Instituto Inspirare), Saulo Barreto (IPTI), Americo Mattar (Fundação Telefônica Vivo) e Lucia Dellagnelo (CIEB) palestraram apontaram caminhos para a inovação no desenvolvimento social. “Inovação social deve nascer de um grão de areia, de um incômodo que buscamos resolver”, diz Anna Penido.
  • Painel educação
    Painel educação
    Os apontamentos surgidos durante o debate Educação Já: fronteiras para articulação e impacto pela educação no país.
  • Voluntariado empresarial
    Voluntariado empresarial
    Daniel Moraes, fundador da Atados, trouxe dados para falar sobre voluntariado empresarial. “70% das pessoas gostariam de fazer trabalho voluntário, mas apenas 15% efetivamente o fazem. Um dos motivos é a falta de estrutura das organizações, o que acontece com as empresas também”, declara.

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