Conheça o trabalho de Leandro Araújo no Ateliê Azu, onde azulejos promovem transformação social

30 de novembro de 2017

 

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Artesão do Ateliê Azu vê na beleza da cerâmica uma forma de valorizar as periferias de São Paulo

Com 18 anos, o artesão Leandro Araújo entrou pela primeira vez no ateliê do artista plástico Elcio Torres, o Ateliê Azu, localizado no mesmo bairro de sua casa, o Vila Santa Inês, na zona leste de São Paulo. O espaço abriga oficinas para adultos e crianças – em espaços sem divisão etária – como também é um importante ponto de transformação física e social do bairro.

Algumas características da cerâmica fascinam Leandro. A técnica demanda a utilização de quatro elementos: o barro é amolecido pela água e em contato com o ar, enquanto o fogo a endurece. A imprevisibilidade da molda também o atrai, pois nunca se sabe, até o momento da abertura da boca do forno, como ficou a peça. Ela pode superar a expectativa do papel, ou explodir indomável. “Qualquer pessoa que tenha oportunidade de entrar em uma oficina, seja adulto ou criança, se sentirá atraída pela técnica”, diz.

Utilizando esse poder de encantamento da arte e o azulejo como ferramenta, o ateliê começou sua interferência estética na periferia em 2007, com a reforma da escadaria da Mocidade Alegre. Desde então, os trabalhos vêm se repetindo em espaços como a Praça Dona Nelsa e o bairro Ermelino Matarazzo.

Ali, Leandro encantou-se não somente pelo aspecto estético da cerâmica, como também pela sua aplicação. “Ela é mais artesanato do que arte porque, quando produzimos uma peça, buscamos com ela uma utilidade, e que seja partilhada por muitas pessoas. Isso pode ser visto não somente na feitura diária de objetos, como também nos azulejos utilizados na reforma dos espaços”, explica o artesão, que acabou se tornando sócio do Ateliê Azu e convidado para ser fonte de inspiração para o Programa Pense Grande, da Fundação Telefônica Vivo, de difusão da cultura do empreendedorismo social.

Crianças atendidas pelo projeto Ateliê Azu, referência para o programa Pense Grande, da Fundação Telefônica Vivo

Quando começa a colagem de azulejos com quatro ou cinco pessoas do ateliê, logo uma dezena de moradores se junta livremente ao trabalho.  “Nosso lema sempre foi: o azulejo é o meio e as pessoas são o fim”, orgulha-se Leandro. As oficinas acontecem de quinta a sábado, e estão abertas até dezembro. São braços curtos e pés ágeis que ocupam a maior parte delas: seus 15 alunos são crianças entre cinco e 11 anos.

Durante as oficinas – as crianças geralmente participam delas os quatro dias da semana – o oficineiro percebeu que o Ateliê Azu supria um espaço de atenção muitas vezes não encontrado em locais como suas próprias escolas, por exemplo. “Percebemos que as crianças precisam ter um aparelho de expressão próximo, não burocrático, onde o mais importante não seja o professor, e sim a experiência. Damos o material e a possibilidade da cerâmica, mas são elas que criam”.

O aprendizado dentro das oficinas também parte das crianças para os adultos. Leandro admira seu comprometimento em tornar o espaço criativo um local de respeito, escuta e diversão. “Nós adultos frequentemente esquecemos a importância de ouvir e acreditar. Quando eu vejo uma aluna de cinco anos fazendo uma peça incrível, que eu não acreditei que fosse dar certo quando eu olhei no papel, fico muito feliz”. Assim, estampando escadarias, nas mãos dos alunos, a cerâmica se converte em uma ferramenta de expressão, e também transformação social.


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