Dia da Não-Violência: diálogo e reconhecimento contribuem para uma escola mais acolhedora

06 de outubro de 2017
Duas crianças andam abraçadas

A comunicação pode ser uma grande aliada na prática de resolução de conflitos. Conheça algumas experiências pedagógicas que incentivam esta habilidade emocional

A data de nascimento de Mahatma Gandhi foi escolhida para comemorar o Dia Internacional da Não-Violência. Neste 2 de outubro 2017, o grande líder indiano e disseminador da paz completaria 148 anos. Mas, ainda vemos seu sonho um pouco distante, com muita violência à nossa volta. Não à toa que a resolução de conflitos é uma das competências do século XXI.

Dentro das escolas o cenário reflete, muitas vezes, este mundo combativo e autoritário. E é em um modelo de ensino disruptivo que encontramos exemplos para mediação de conflitos dentro do ambiente escolar. O Projeto Âncora  tornou-se uma referência em práticas inovadoras e faz parte de uma lista de 96 experiências educacionais pelo mundo que apresentam soluções para demandas do nosso tempo.

A escola, localizada em Cotia (SP), oferece uma proposta de ensino baseada na autonomia do aluno a na construção de projetos a partir de sonhos. A instituição acaba de realizar o seu 1º Fórum temático sobre Mediação de Conflitos em que compartilhou experiências de como desenvolver nos alunos esta habilidade emocional.

São cinco valores que pautam as relações na escola: respeito, honestidade, afetividade, responsabilidade e solidariedade. E é a partir deles que os professores trabalham com as crianças.

A coordenadora-geral do Projeto Âncora, Suzana Ribeiro, conta que quando acontece algum conflito, eles chamam as crianças para conversar e tentam por meio de um processo de fala e escuta entender o que aconteceu. Em seguida, questionam o ocorrido de forma que um se coloque no lugar do outro e, ao final, reconhecem qual foi o valor que não estava presente. “Fazemos a criança refletir se faltou com respeito, se não foi honesto, por exemplo, e assim vamos trabalhando os conflitos”, explica Suzana.

Além da forma como o assunto é abordado com as crianças, a postura de todos como exemplo para os demais é muito importante. “Aqui nós dizemos que não formamos as nossas crianças para a cidadania, nós vivemos a cidadania”, completa. “No começo eram os professores que faziam este papel de mediador, hoje eles mesmos já o fazem”.

Adulto conversa com três crianças em roda de conversa na grama

 

Comunicação Não-Violenta

Desenvolvido nos anos 1960 pelo psicólogo americano Marshall Rosenberg, o conceito de Comunicação Não-Violenta vem ganhando muitos adeptos no Brasil. Uma das referências no tema é o inglês Dominic Barter (foto ao lado), aprendiz e colega de Rosenberg por 18 anos, que trabalha com o tema desde os meados dos da década de 1990, quando iniciou seu trabalho em favelas do Rio de Janeiro.

“Fui muito impactado em conhecê-lo e ver o quanto ele entendia de conflito e como as relações de parceria e cooperação funcionam e podem ser recuperadas”, lembra Dominic.

Dominic Barter especialista em Comunicação Não-Violenta

Hoje, Barter roda diversas cidades do Brasil compartilhando práticas de não-violência e diz que continua aprendendo. Ele também acredita que o conceito pode ajudar as escolas a se orientarem conforme os valores dos seus integrantes, bem como apoiá-los a mapear relações de poder na comunidade e distribuir iniciativas para os projetos pedagógicos dos jovens. Abaixo ele nos conta um pouco de sua experiência.

Qual o papel da Comunicação Não-Violenta na mediação de conflitos?

Conflito funciona para anunciar e realizar mudanças dentro de qualquer relacionamento. Numa cultura avessa ao conflito, como é a nossa atualmente, formas democráticas de convivência são muito difíceis. Diálogo é temido, pois ele exige que eu não só te escute, mas mude em consequência daquilo que você fala. Assim buscamos juntos a inclusão de todos. Comunicação Não-Violenta ajuda nortear a mediação numa prática que receba conflitos normalmente, sem sustos, e entenda que ela acontece no campo de comunicação, que se baseia na compreensão mútua e procura um desfecho factível, sustentável e inclusivo.

Como a Comunicação Não-Violenta pode ser utilizada em sala de aula?

Escolas são o primeiro sistema social em que a Comunicação Não-Violenta entrou. Onde muitos de nós aprendemos a diferença e a aventura de convivência com o outro, experimentamos o conflito de formas novas e desenvolvemos parte do nosso senso de justiça. Entender, desde cedo, como as necessidades que compartilhamos funcionam para orientar nossas ações possibilita o desenvolvimento de ambientes de aprendizado respeitosos, seguros e alegres, em que todos na comunidade escolar – professores, alunos e outros – são vistos, cuidados e tenham as condições de crescer.

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