Educação 360 convida participantes a pensar ensino como responsabilidade de todos

26 de setembro de 2017
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Com apoio da Fundação Telefônica Vivo, Educação 360 discutiu práticas inovadoras para repensar a educação para além de conteúdos formais

“Para educar uma criança, é preciso uma aldeia inteira”. Ainda que muito utilizada, a frase que se popularizou nas discussões sobre educação diz muito a respeito da necessidade de não só as escolas, mas também o bairro, a cidade e a sociedade civil se debruçarem sobre a tarefa de olhar a educação dos mais jovens para muito além do conteúdo programático.

Com essa proposta, de refletir sobre o presente e o futuro do ensino, o evento Educação 360 reuniu os maiores especialistas da área no Rio de Janeiro nos dias 21 e 22 de setembro. Realizado pelos jornais O Globo e Extra, com apoio da Fundação Telefônica Vivo, o encontro internacional foi realizado na Escola SESC do Ensino Médio, na Zona Oeste da cidade.

A programação foi aberta com uma palestra magna sobre um tema central sendo discutido no Brasil atualmente: a implementação da Base Nacional Comum Curricular, e a importância de ela ser uma política de Estado, permanente, não somente de governos.

“Existem direitos de aprendizagem que devem ser garantidos para todas as crianças. É necessário que o Estado enxergue a desigualdade e elabore políticas públicas para sua diminuição. Ter uma Base Nacional ajuda a garantir isso”, ressaltou Pilar Lacerda, criadora da Fundação SM Brasil. Os outros participantes da mesa também salientaram a importância da Base não ser colocada em prática, como mencionou Eduardo Deschamps, presidente do CONSED (Conselho Nacional de Secretários de Educação).

Em paralelo aos grandes debates, que ocuparam o espaço do teatro, a biblioteca do SESC recebeu a análise de estudos de caso, com a apresentação de quatro experiências bem-sucedidas e participação do público.

No primeiro dia, Mila Gonçalves, gerente de projetos da Fundação Telefônica Vivo, apresentou o Inova Escola no painel Parceria, que falava sobre projetos nos quais diferentes atores se unem de maneira intersetorial para a construção de espaços mais inovadores.

O programa é uma parceria da Fundação Telefônica Vivo com seis escolas inovadoras em nível nacional, que recebem apoio tecnológico e pedagógico. Uma delas é a EMEF Zeferino Lopes de Castro, em Viamão, no Rio Grande do Sul, que utiliza a pedagogia baseada em projetos.

Mila Gonçalves, gerente de projetos da Fundação Telefônica Vivo
Mila Gonçalves, gerente de projetos da Fundação Telefônica Vivo

Durante apresentação, Mila lembrou como a escuta ativa, atenta ao desenvolvimento dos estudantes, permitiu, por exemplo, que um aluno que havia repetido um ano encontrasse na sua paixão pelo cuidado com cavalos um caminho para a criatividade, inventando um cocho automático para facilitar a alimentação dos animais: “Inovação é um processo, não uma fórmula. O que podemos fazer, como Fundação, é facilitar esses processos, e o que vai sair depende da escola e seus educadores”, relatou Mila.

Já no segundo dia do evento, professores de uma das instituições do programa Inova Escola, o EM André Urani – GENTE, localizado na comunidade carioca da Rocinha, tiveram a oportunidade de se encontrar com representantes tanto da Fundação Telefônica Vivo quanto da Telefônica Brasil.

Eduardo Navarro, presidente da Telefônica Brasil, o vice-presidente de assuntos corporativos e comunicação Gustavo Gachineiro e Marcelo Tanner, diretor comercial do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, além da própria Mila e Americo Mattar, diretor presidente da Fundação, participaram de uma roda de conversa com a diretora do GENTE Marcela de Oliveira e Claudia Fadel, diretora da Escola SESC de Ensino Médio.  No encontro, foi debatida a importância do trabalho inovador da escola em um território de vulnerabilidades, além da relevância do papel que cada um tem na construção de uma educação de qualidade e acessível.

Oficinas e conversas

Nas salas de aula da Escola SESC, aconteceram durante as manhãs dois dias de programação com oficinas maker. Uma delas, ministrada por Gustavo Brito, da plataforma de educação Laje, discutiu uma visão retomada em diversos momentos do evento: da escola como um espaço em evolução, e do processo de aprendizagem como uma maneira de inovar. “A escola pode ser uma fábrica, mas não o espaço industrial como conhecemos. Pode ser espaço de produção de reflexão e conhecimento”, disse o palestrante.

Outro dos estudos de caso centrou-se em como a escola se abre para discussões de igualdade envolvendo povos indígenas, a comunidade LGBT e minorias étnicas. “Não basta a escola ser democrática, ela tem que promover a democracia”, defendeu Cesar Luis Sampaio, da EMEF Infante Dom Henrique, em São Paulo, que tem como premissa acolher e integrar a crescente população imigrante que chega à cidade. Outro bom exemplo foi dado pela escola EMEF José de Alcântara Machado, que resgatou costumes e conhecimentos dos indígenas urbanos Pankakaru.

A última participação da Fundação Telefônica Vivo foi no estudo de caso Transições, na qual se discutiram práticas para evitar a alta evasão escolar nos anos transitórios: a sexta série do ensino fundamental e o primeiro ano do ensino médio. Americo Mattar trouxe casos da publicação Viagem à Escola do Século XXI, livro de referência em inovação educativa que reúne práticas de todo mundo.

Um dos exemplos foi o espaço 826 Valencia, em Nova Iorque (EUA), que oferece reforço escolar combinado a um espaço lúdico de super-heróis. “Já pensou aprender matemática vestido de Batman?”, brincou Americo. “Para que a inovação aconteça, temos que transformar os nossos alunos, liberar o palco para que venham para frente, se organizem e pensem diferente”, concluiu.

  • Eduardo Navarro, presidente da Telefônica Brasil, participou de uma roda de conversa com a diretora do GENTE, uma das instituições do programa Inova Escola

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4 comentários sobre “Educação 360 convida participantes a pensar ensino como responsabilidade de todos”

  1. Neusair Nunes Cavalheiro Ferreira. disse:

    sim, tudo se encaminha para uma educação globalizada,já entramos nesse processo a anos, porém , exige muito tempo e investimentos. Nas escolas escolhidas, com todo amparo, nos faz parecer fácil, chega a me encantar, quando volto a si, a realidade é outra. Mas vamos seguindo adiante, sempre para frente. Concordo em investir nas inovações, desde que seja aplicável, sem utopias.

    1. Neusair Nunes Cavalheiro Ferreira. disse:

      Sempre trabalhei desta forma, descobri com o passar dos anos com as novas propostas, que eu sou prof,hoje supervisora maluquinha! Amo trabalhar com projetos! Tudo fica mais gostoso e divertido. ensinar, aprender, enfim interagir é uma arte,arte de se conhecer e conhecer o outro.

      1. aprendiz disse:

        Cara leitora,
        Obrigada pelo comentário. Continue nos acompanhando!
        Abraços

    2. aprendiz disse:

      Cara leitora,
      Obrigada pelo comentário. A opinião de nossos leitores é sempre muito importante. Continue nos acompanhando!
      Abraços

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