Educação 360 debate a profissão professor e propõe mudanças

02 de outubro de 2018

Encontro Mundial reuniu especialistas em educação no Rio de Janeiro nos dias 24 e 25 de setembro

Seis palestrantes estão sentados no palco do Educação 360 para o painel sobre o que jovens querem ensinar aos mestres

Repensar formatos da educação na sala de aula, capacitar e motivar os professores para o uso de tecnologias e estimular a escuta e o acolhimento dos estudantes. Essas foram algumas das missões que os participantes levaram na bagagem após a quinta edição do Educação 360, encontro internacional que reuniu especialistas de educação do Brasil e do mundo no Rio de Janeiro.

Ao todo, mais de 20 atividades, entre workshops, master class e paineis de debates sobre educação em diferentes níveis rechearam a programação. Dentro de cada atividade, temas como diversidade, economia e tecnologia ganharam o foco.

Realizado pelos jornais O GloboExtra, com apoio da Fundação Telefônica Vivo, o evento ocupou o Museu do Amanhã e o Museu de Arte na região central da capital fluminense, nos dias 24 e 25 de setembro.

 

Profissão Professor

O painel “Profissão: Professor” foi um dos destaques e recebeu Mila Gonçalves, gerente de Programas Sociais da Fundação Telefônica Vivo. Mila trouxe dados que revelam que menos da metade dos jovens do país têm interesse em ser professor. “É muito bom quando a gente, como profissional, sabe o que esperam de nós. Mas para os professores, isso não existe. Não dá pra continuar sem estabelecer com clareza o que se espera de um professor. A profissão não está sendo incentivada”, comentou.

Como saída para essa questão, Mila propôs a criação de um marco referencial para que os professores consigam saber de onde partir e como ser um profissional valorizado. “Temos que entender a educação como um assunto de todos nós. E não só delegar ao poder público”, convocou a gerente.

Mila Gonçalves, gerente de Programas Sociais, está em pé no palco do Educação 360

 

Atividades interativas

Perto do auditório, o público pôde vivenciar experiências tecnológicas no estande do Programaê!, iniciativa realizada pela Fundação Telefônica Vivo, em parceria com a Fundação Lemann, que incentiva o uso de programação e o pensamento computacional. A jovem Emilly Medeiros Gomes, de 16 anos, era umas das pessoas que auxiliavam na confecção de carrinhos feitos com materiais recicláveis que se moviam com a ajuda de uma bexiga.

Emilly foi uma das jovens que ajudou na criação da cartilha do programa, disponível para professores e alunos no site do Programaê!. “Me senti muito útil. Aprendi a me comunicar melhor e a ficar mais à vontade para falar. Além disso, entender a tecnologia não só no computador, mas no pensamento, ajuda em várias coisas da vida”, contou.

A metodologia, também pôde ser colocada em prática no workshop “Os desafios da BNCC – A importância da integração do pensamento computacional ao currículo para o desenvolvimento de competências e habilidades do cidadão do séc. XXI”, comandado pela Monica Maldaji, do Instituto Conhecimento Para Todos, e coordenadora do guia Programaê!.

Durante o encontro, ela chamou atenção para os desafios dos profissionais em sala de aula. “Nossos professores não estão sendo formados para usarem a tecnologia agregada ao currículo. Trabalhamos hoje para que eles mudem esse pensamento e vejam a tecnologia como um meio e não o fim. Quando o professor entende isso, é libertador”, disse Monica.

Mais tarde, no painel “Jovem 360 – O que os jovens querem ensinar aos mestres”, Luã dos Santos Silva, de 16 anos, aluno do 2º ano do ensino médio na Escola Estadual Norma Ribeiro, em Salvador (BA) , falou sobre o colégio ser um lugar com atrativos para os alunos. “Dentro da sala de aula, trazemos nosso contexto e os assuntos que estão no nosso dia a dia. Por exemplo, pedimos para saber mais sobre as nossas etnias, histórias da nossa região. É uma forma de democracia.”

Aluno Luã dos Santos Silva sua camiseta preta e fala ao microfone no palco do Educação 360

 

Economia e educação: tem a ver?

.Priscila Cruz, presidente-executiva do Movimento Todos pela Educação, esteve no painel “Educação já: o que a qualidade da nossa educação tem a ver com o crescimento da economia?”.  Ela chamou atenção para os caminhos traçados no setor do ensino, onde 55% das crianças são analfabetas aos 8 anos de idade e 93% dos jovens não têm aprendizagem mínima em matemática. De acordo com Priscila, “precisamos de uma terapia intensiva para a educação brasileira”.

No mesmo painel, o economista e professor da Universidade de Stanford, Eric Hanushek, trouxe dados sobre a escolaridade e crescimento econômico dos países e nações. “Precisamos enviar todo mundo para a escola. Mas se a escola não estiver ensinando nada e as pessoas não aprendem, não adianta nada. Se não houver uma mudança na educação brasileira, a economia do Brasil corre risco de não se desenvolver”, alertou Eric. Em um comparativo, o professor mostrou que, caso o Brasil elevasse seu grau de escolaridade para o mesmo do México, o PIB cresceria em média de 5,6%.

 

Emoção em sala de aula

Quem também chamou atenção para a situação dos profissionais de sala de aula, especialmente na rede pública de ensino, foi Camila Stefanelli, professora da EMEI Maria Lucia Petit (SP).

Ela contou que foi a pessoa que mais participou das formações disponíveis pela plataforma Escolas Conectadas no portal da Fundação Telefônica Vivo e como isso a ajudou a transformar sua realidade. “O acolhimento é fundamental e um grande desafio para entender essas crianças e jovens na educação do século XXI. Poder levar conteúdo para gerar propostas de trabalho e discussão e formar professores com mais potência e empoderamento é o caminho. Isso nos torna profissionais muito melhores, revelou Camila.

A educadora esteve também no painel “Uma conversa entre gerações”, que contou ainda com a participação da professora aposentada de Educação Física Diva Guimarães, que ganhou notoriedade depois de fazer um depoimento emocionante de sua vida na 15ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), de 2017. Diva narrou um episódio de racismo que sofreu na infância e como isso a levou a ser professora. “Eu sempre fui para vencer, porque era a forma de me sentir respeitada. Respeito à infância é a coisa mais importante que pode existir. A libertação vem de dentro e diante de todas as adversidades da vida”, disse, emocionando a plateia.

A Fundação Telefônica Vivo também esteve presente no evento por meio da oficina “Por uma escola mais digital: objetos de aprendizagem em sintonia com a BNCC”. Beto Silva, orientador do programa Escola Digital, propôs aos participantes uma experimentação do uso de objetos a favor de uma educação mais inovadora e antenada com a Base Nacional Comum Curricular. “Não adianta fecharmos a escola para a tecnologia. Mas sim, criarmos uma horizontalidade para usarmos a tecnologia a favor do ensino”, orientou Beto.

 

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