Empreendedorismo social desenvolve habilidades do século XXI

05 de fevereiro de 2020

Está em alta o debate sobre futuro do trabalho. As mudanças tecnológicas e sociais trazidas pela 4ª Revolução Industrial exigem preparo e desenvolvimento de novas habilidades para qualquer profissional, o que envolve também quem deseja empreender com impacto social.

Mas, segundo a OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), que reúne 36 países entre os mais desenvolvidos do mundo, 6 em cada 10 adultos não têm habilidades básicas para lidar com as mudanças trazidas ao mercado de trabalho por novas tecnologias.

Claudia Costin, diretora do Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais da Fundação Getúlio Vargas, defende que uma das formas de se adaptar a essa nova realidade é preparar os jovens para o século XXI, com um ensino que envolva resolução colaborativa de problemas, empatia, protagonismo e capacidade de empreender sua própria vida.

A juventude está atenta a isso e enxerga o empreendedorismo como caminho. É o que aponta o estudo Juventudes e Conexões – elaborado em parceria entre Fundação Telefônica Vivo, IBOPE Inteligência e Rede Conhecimento Social e que ouviu cerca de 1.400 jovens entre 15 e 29 anos.

Se pudessem escolher, 64% dos entrevistados teriam um negócio próprio, e 21% disseram que é muito provável que abram um negócio nos próximos cinco anos. Eles acreditam que é preciso olhar para o empreendedorismo como um conceito amplo, que demanda o desenvolvimento de competências e habilidades a serem estimulados desde cedo.

Edgard Barki, coordenador do Centro de Empreendedorismo e Novos Negócios da Fundação Getúlio Vargas, afirma que um empreendedor social preparado para lidar com as mudanças do século XXI é aquele que reúne várias habilidades, cultiva o autoconhecimento e sabe buscar apoio em todos os sentidos.

“É preciso conciliar várias competências para o entendimento deste século. Apesar da jornada ser solitária, é preciso saber buscar apoio, e ter um suporte. Um empreendedor de sucesso sabe recorrer a organizações e pessoas que têm características que lhe faltam”, resume.

Com a ajuda do especialista, listamos a seguir algumas dessas habilidades do século XXI que o empreendedorismo social ajuda a desenvolver:

 

Habilidades socioemocionais

Paixão e propósito geralmente estão ligados para quem deseja empreender com impacto social. Porém, mais do que querer resolver um problema social, é preciso entender as próprias vontades e competências. Desenvolver habilidades socioemocionais pode facilitar em muito a jornada empreendedora.

“Geralmente um empreendedor precisa ter muita resiliência para continuar fazendo o que acredita. É preciso ter muita paixão pelo que faz e acreditar na própria ideia para engajar outras pessoas. O caminho do empreendedor é muito solitário. Então, a partir da sua paixão, é preciso trazer outras pessoas, não necessariamente para trabalhar com você, mas para acreditar e apoiar esse sonho”, contextualiza o professor Edgard Barki.

 

Capacidade de resolver problemas

Se apaixonar por um problema e não pela solução. Segundo o especialista, este deveria ser o mantra de um empreendedor social e está totalmente alinhado ao que o século XXI demanda: ver problemas como oportunidades. A solução vai mudar ao longo do tempo, pois existem diversas formas de se resolver algo.

“Se ficar fixado em uma solução única, você pode se decepcionar. Geralmente o empreendedor é muito ligado na busca de oportunidades, pensa em um problema como uma oportunidade de encontrar soluções. Não fica restrito a limitações. Como você consegue fazer a coisa funcionar, mesmo não tendo todos os recursos disponíveis, sejam financeiros ou humanos?”, exemplifica o especialista da FGV.

Recursos tecnológicos podem ser importantes aliados nessa busca pela resolução de problemas, mas é preciso cuidado para não ficar olhando apenas para o que já se conhece.

“A tecnologia precisa ser um suporte e não o pilar inicial. A solução geralmente vem de fora e você precisa entender como usar os recursos para resolver os problemas a partir das necessidades. Às vezes, as pessoas nem sabem que têm um problema, mas quando veem a solução pensam: ‘nossa é tudo o que eu sempre quis!’”, complementa.

 

Colaboração e atuação em rede

Usar os recursos de forma inteligente e conseguir mobilizar outras pessoas para que trabalhem em conjunto são ganhos da atuação em rede, que desenvolve também a habilidade de trabalhar em colaboração. Não há uma regra específica na hora de procurar tais parcerias.

Sejam aceleradoras ou associações que reúnam startups, redes de mulheres, outras ligadas a tecnologias, e até mesmo universidades. Não existe uma rede única de empreendedores, é preciso saber se conectar com a que faça sentido para você.

“É como você conecta as pessoas, as organizações, as instituições para que caminhem na sua direção. Essas redes são muito essenciais, porque os recursos são limitados e elas acabam apoiando muito a solução dos problemas. Fazer com que todos acreditem em alguma coisa, significa constituir uma rede em prol do seu sonho”, resume Edgard Barki.



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