Festas Juninas ensinam sobre coletividade e diferenças culturais

13 de junho de 2019

As celebrações, conhecidas por roupas e comidas típicas, podem nortear práticas pedagógicas e despertar curiosidades sobre contexto histórico e cultura popular


Com a chegada do mês de Junho começam as expectativas pelas cantigas, danças de quadrilha, comidas e roupas típicas das Festas Juninas. Mas, o que exatamente comemoramos nesta época?

Embora seja celebrada nas cinco regiões do Brasil, a festa de configuração cristã, tem o Nordeste como principal referência, especialmente os Estados de Pernambuco e Paraíba. As comemorações homenageiam os dias de três santos católicos: Santo Antônio (13 de junho), São João Batista (24 de junho) e São Pedro (29 de junho).

É importante ressaltar que antes do cristianismo, outras religiões já faziam comemorações nesta mesma época do ano. Em terras brasileiras, os indígenas também tinham costume de fazer rituais durante o período para marcar o início do inverno.

Por conta dessa origem multicultural, que fundiu tradições, a festa popular se apropriou de certos costumes e ganhou os contornos característicos que tem hoje, tornando-se também um rico potencial de aprendizado e desenvolvimento de práticas pedagógicas no ambiente escolar.

 

Potencial pedagógico

As escolas costumam organizar eventos, contando com a presença das famílias para desfrutar das atividades temáticas durante um único dia. Mas para além da celebração, é possível explorar  a comemoração popular mesclando conhecimentos às atividades de decoração e exposição de projetos, criando uma oportunidade de celebrar o evento e ainda desenvolver competências cognitivas.

Os estudantes podem, por exemplo, entender que as vestimentas usadas em Festas Juninas, e inspiradas na vida na roça, são produto de um contexto histórico e geográfico que representava 70% da sociedade brasileira que vivia no campo até meados do século XX. Ou que a maioria das comidas é feita a partir do milho, pois há um sentido de agradecimento à colheita do meio do ano.

Pensando nesse potencial pedagógico, a Escola Municipal de Ensino Fundamental Maria Luiza Fornasier Franzin se propôs a envolver os estudantes na compreensão de todos os elementos que compõem as celebrações juninas.

“A festa não se resume só em ir até lá e dançar a quadrilha. Tem a ver com o construir junto, a participação e o envolvimento com a cultura popular”, conta Eliana Galante, supervisora da escola localizada em Águas de São Pedro, no interior de São Paulo.

 

Valorização da cultura popular

A imagem mostra diversas casas e prédios coloridos em uma parede feitos de papel

A valorização da cultura popular é marca registrada da escola Maria Luiza Fornasier Franzin, envolvendo os estudantes com projetos temáticos. Só no mês de junho, três eventos marcam a participação estudantil na instituição: a Feira Gastronômica, a Festa Junina e o Show de Talentos, que marca o fim do semestre.

Com o intuito de trazer um ponto de vista diferente, a supervisora e professora Eliana Galante relacionou as celebrações juninas à Arte “Naïf” (termo que significa ingênuo, em francês) – uma forma de manifestação cultural que desconsidera regras e técnicas estilísticas.

A ideia é trabalhar com as turmas o conceito desse tipo de expressão, que dialoga com a abordagem colorida estampada nos desenhos e bandeiras das Festas Juninas.

“O grande foco são as narrativas: através de textos, músicas, desenhos, vídeos e cartões postais, as crianças se conectam com os temas relacionados à arte e a festa. A intenção é expor o registro destes trabalhos”, explica a educadora Eliana.  “As crianças entenderam como a festa junina é construída: o dia, a data, a origem, as danças populares, a arte, todos os elementos que a compõe.”

Os alunos do Pré ao 9º ano, do Ensino Fundamental 1 e 2, estão trabalhando desde o mês anterior em projetos associados à festa. Além das pesquisas e exposições, as crianças também ficam responsáveis por confeccionar artefatos para a decoração e ensaiar as danças, nas aulas de Educação Física. Os projetos são realizados na parte da tarde, aproveitando as oficinas que complementam o currículo regular da grade.

 

Sensação de pertencimento

Outra iniciativa, realizada com uma das turmas de 1º ano da EMEF Maria Luiza Fornasier Franzin, foi a produção de convites. A professora Carla Roque trabalhou o gênero textual com as crianças, ensinando a função de um convite, as ocasiões em que é usado e depois para que pensassem juntos em uma inspiração usando os elementos da Arte Naïf. Ao todo, 286 convites foram distribuídos para toda a escola.

“Acho muito significativo mostrar para eles que existem outras formas de comunicação, e também de passar o conteúdo na escola”, conta Carla Roque. “Eles gostam muito de colorir e da própria comemoração da festa junina, então isso faz com que as crianças fiquem interessadas em participar”.

Imagem mostra um convite de papel, feito pelos alunos, onde se lê “Arraiá da Malu” e tem informações de nome, dia e horário, com a frase final: aguardamos a sua presença.

O coordenador da escola, Marcos Joel de Jesus, descreve o evento em grandes proporções e diz que o objetivo é sempre envolver a comunidade escolar. Ainda assim, acrescenta que a motivação e o orgulho vêm antes da celebração.  “O objetivo é criar essa ideia de pertencimento. A festa não é da escola, é deles. Além de concretizar o aprendizado, é uma forma dos estudantes passarem para a comunidade o que estão fazendo aqui dentro”, finaliza.

Festa Junina em sala de aula

Para quem quer ir além das festas tradicionais, há uma série de materiais disponíveis para a construção de práticas pedagógicas.

O Nova Escola disponibiliza um Plano de Aula específico para trabalhar a cultura nordestina, valorizando elementos regionais.

Já no Escola Digital você encontra mais de 50 Objetos Digitais de Aprendizagem (ODAS) gratuitos para trabalhar a temática com os estudantes. É possível filtrar o conteúdo por disciplina, tipos de mídia, acessibilidade, habilidades alinhadas com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), dentre outras opções.



Deixe uma resposta aqui