Futuro do Trabalho: maioria dos jovens ainda escolhe profissões tradicionais, diz OCDE

20 de fevereiro de 2020

Relatório da Organização mostra que jovens de todo o mundo ainda optam por profissões tradicionais,não considerando novos tipos de empregos que surgem na 4ª Revolução Industrial. Entenda como as instituições de ensino podem ajudar nessa aproximação.


Medicina, Licenciatura, Engenharia e Direito continuam entre as carreiras mais desejadas pelos jovens há quase 20 anos, ou seja, o cenário pouco mudou com a era das mídias sociais e da popularização da tecnologia no mercado de trabalho. É o que conclui o estudo de 2018 “Emprego dos sonhos? As aspirações de carreira dos adolescentes e o futuro do trabalho”.

Realizado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o estudo analisa as respostas à pergunta “Qual profissão você espera ter aos 30 anos de idade?”, feita desde 2000 para jovens que participam do Pisa, sigla para Programa Internacional de Avaliação de Estudantes – maior exame de estudantes do mundo realizado a cada três anos.

Os resultados,relativos ao ano de 2018, mostram que a expectativa de carreira dos adolescentes está ainda mais concentrada em poucas ocupações. Se em 2000, 49% dos jovens de 15 anos esperavam chegar aos 30 atuando em uma das dez profissões mais citadas, agora esse número aumentou a 53%.

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Durante o lançamento do estudo no Fórum Econômico Mundial, realizado na Suíça, o diretor de educação da OCDE, Andreas Schleicher, manifestou preocupação por mais jovens escolherem o “trabalho dos sonhos” dentro de uma pequena lista de opções.

“A análise sugere que, em muitos países, as aspirações de carreira dos jovens têm pouca relação com a demanda real do mercado de trabalho. Muitos adolescentes desconhecem novos tipos de empregos que estão surgindo, principalmente como resultado da digitalização”, disse.

Infográfico comparando as dez profissões mais desejadas pelos jovens em 2000 e 2018

 

O recorte dos estudantes brasileiros

Atrás apenas da Indonésia, o Brasil é o segundo país entre os 41 participantes da pesquisa,com a maior porcentagem de estudantes que optam por uma entre as dez carreiras mais citadas:quase dois a cada três jovens brasileiros dizem querer segui-las.

O presidente da Associação Brasileira de RH, Paulo Sardinha, aponta algumas hipóteses que ajudam a explicar esse cenário. “Normalmente, aos 15 anos, os jovens conhecem pouco sobre o mercado de trabalho, por isso é natural que elas optem por profissões mais conhecidas. Há também influência da família, que por falta de conhecimento tende a valorizar carreiras mais tradicionais e conservadoras”.

Ele ressalta, contudo, que é pouco provável que as escolhas dos jovens serão mantidas ao longo do tempo. “Quando eles chegam aos 18 ou 20 anos, olham para o mundo e batem na porta da universidade, o universo deles se expande”.

Do lado oposto estão Alemanha e Suíça, com menos de 4% de seus estudantes optando por uma das dez profissões do ranking das mais desejadas. Segundo o relatório da OCDE, isso se deve a programas de treinamento profissional bem estabelecidos, fundamentais para ampliar as perspectivas da juventude.

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O papel da escola

A escola tem um papel fundamental para ajudar os jovens a entender as mudanças no futuro de trabalho. A própria OCDE projeta que a automação poderá acabar com quase metade dos empregos que a gente conhece hoje nos próximos 20 anos. Além disso, 39% dos empregos citados pelos participantes do Pisa correm o risco de ser automatizados dentro de 10 a 15 anos.

“O movimento de surgir e desparecer carreiras sempre existiu, mas hoje é mais amplo, múltiplo e se dá numa velocidade maior. As escolas e as universidades precisam influenciar as crianças a se aproximar das demandas reais do mercado.O que o mundo aponta é que haverá duas áreas em expansão: saúde e tecnologia, especialmente voltada para o desenvolvimento de softwares e aplicativos”, indica Paulo Sardinha.

O problema é que orientação vocacional e informações sobre o futuro do trabalho ainda são pouco exploradas pelas instituições de ensino, como avalia Paulo Tadeu Rabelo da Motta, professor do Departamento de Psicologia Social da Faculdade de Ciências e Letras da Unesp.

“Só realizar orientação vocacional não resolve. As escolas devem mudar para se adequar aos interesses dos estudantes. Devem ser mais desafiadoras e trabalhar para que a aquisição do conhecimento seja algo prazeroso e que tenha aderência às necessidades reais”, complementa Paulo Tadeu.

Com base nas orientações do relatório da OCDE, veja como as escolas e educadores podem apoiar os estudantes nas novas demandas para o futuro do trabalho:

Comece cedo, nos anos iniciais da Educação Básica, e intensifique a orientação vocacional em momentos decisivos, quando os estudantes estiverem efetivamente pensando em qual caminho trilhar;
Conecte o aprendizado em sala de aula com o estudo do futuro da economia;
Providencie informações confiáveis sobre o mercado de trabalho, bem como conselhos ou orientações de profissionais bem treinados e imparciais;
Ofereça informações variadas e equilibradas sobre as diferentes profissões existentes no mercado de trabalho, tanto sobre as tradicionais quanto sobre as novas. E desafie estereótipos.
Intensifique o trabalho de orientação vocacional com jovens em situação de vulnerabilidade social e maiores riscos de evasão escolar.



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