Internet segura: três estratégias para discutir o tema na escola

05 de fevereiro de 2019

No Dia Internacional da Internet Segura, confira algumas dicas que promovem a reflexão sobre o uso ético e responsável da rede

Grupo de alunos da Escola Municipal Manoel Domingos está segurando tablets e notebooks para atividades com redes sociais, que pautou discussão sobre internet segura.

Hoje é celebrado o Dia Internacional da Internet Segura, uma iniciativa anual para unir especialistas, pesquisadores, comunicadores e o público em geral na promoção de atividades de conscientização em torno do uso seguro, ético e responsável da internet. Criado pela Rede Insafe, na Europa, a data é celebrada em mais de 140 países.

O mundo online é cheio de armadilhas que vão desde vírus, cadastro em aplicativos que deixam seus dados expostos ou propagação de notícias falsas, além de questões como cyberbullying e, em casos extremos, até ameaças à vida.

Contudo, a discussão sobre uso seguro e responsável da internet vai além de aprender a se proteger, como explica Rodrigo Nejm, diretor de educação da Safernet Brasil, ONG dedicada à educação e defesa dos Direitos Humanos na Internet: “para além da segurança, falamos de cidadania, de como usar a tecnologia para dar potência a conteúdos bacanas, relações mais positivas e informações qualificadas”.

É importante entender que a internet é uma ferramenta. Assim, é o uso dado a ela que vai atestar comportamentos positivos ou negativos. O debate sobre isso tem de começar desde cedo. A pesquisa  TIC Kids Online Brasil, divulgada em 2018, mostrou que 8 em cada 10 crianças e adolescentes de 9 a 17 anos são usuárias da internet, o que corresponde a 24, 7 milhões de jovens em todo o país.

Das mais de três mil crianças e adolescentes de todo o Brasil entrevistados para a pesquisa, 39% declararam ter contato com formas de discriminação na rede no último ano. Entre os principais tipos identificados estão discriminação de cor ou raça (26%), aparência física (16%) e preferência sexual (14%).

Em contrapartida, pais e cuidadores, que também foram ouvidos na pesquisa, estão cada vez mais ligados em estratégias de orientação sobre segurança na internet. Cerca de 70% dialogam com os filhos sobre conteúdos da internet que incomodem ou aborreçam, 79% ensinam formas de usar a internet com segurança e 84% ensinam a se comportar no relacionamento com pessoas por meio das redes sociais.

O papel da escola

Foi-se o tempo em que as escolas encaravam a internet como um mundo à parte. Hoje os tablets e os smartphones são cada vez mais usados como ferramenta de apoio aos estudos e as redes sociais estão entre as principais formas de interação social.

Assim, é natural que a escola tenha de se engajar em ações práticas, como a distribuição de cartazes que alertam sobre os perigos da rede. Aumentar a parceria com os pais para encontrar maneiras de estender essa conscientização para além dos muros da escola também é boa alternativa.

O fundamental é fortalecer o debate sobre como manter a internet segura. “Não é só porque a internet está nos marcos regulatórios, mas é para educar as novas gerações para um mundo cada vez mais digital”, avisa Rodrigo, o especialista da Safernet Brasil. “A escola pode e deve ser uma ponte para o entendimento da dimensão ética, de cidadania, responsabilidade e autocuidado no uso das tecnologias, independentemente do nome que elas tenham”, complementa.

Para promover a reflexão sobre o tema, listamos a seguir três estratégias para manter a internet segura. Confira:

Aprendizado na prática

Localizada na zona rural de Vitória de Santo Antão, em Pernambuco, a Escola Municipal Manoel Domingos se transformou na primeira escola 100% digital do Nordeste, com 4G dentro e fora de seus muros e praticamente um tablet por aluno, além de fazer parte do programa Inova Escola, da Fundação Telefônica Vivo.

O uso do digital permite que os estudantes e educadores tenham acesso a conteúdo interativo em todo o ambiente escolar. Por isso, a escola aproveita a cultura digital para introduzir algumas discussões importantes.

No ano passado, a professora de português Vilma Maria do Nascimento Silva resolveu usar as redes sociais para trabalhar diferentes gêneros textuais com os estudantes do 3º ao 5º ano, que foram responsáveis por criar Instagram, Facebook, blog e podcasts para relatar as atividades da escola. Toda a atividade foi permeada por conversas sobre o uso consciente das redes sociais.

“Nossa intenção foi discutir os lados positivos e negativos dessas mídias e fazer com que eles entendessem que existe um uso pedagógico das ferramentas que pode ser muito divertido”, explica a professora.

A atividade trouxe maior senso de responsabilidade com as redes sociais, já que os estudantes é que ficavam encarregados de cuidar dos perfis da escola. Os laços entre as crianças e os educadores também se estreitaram, o que facilitou o compartilhamento offline de experiências vividas online.

“Eles passaram a observar como os colegas usam a internet e a discutir entre eles quando identificavam um perigo, como o pedido de amizade pelo Facebook de alguém que não conheciam ou uma foto que deixava o estudante muito exposto”, atesta a professora Vilma.

Rodas de conversa

Em São Paulo, a Escola Municipal de Ensino Fundamental Desembargador Amorim Lima, que também faz parte do Inova Escola, tem a cultura digital como parte do Projeto Político Pedagógico. Os computadores ficam disponíveis a todo o momento para professores e alunos sem restrições de uso. Além de atividades específicas, os estudantes usam a internet para trabalhar os roteiros de pesquisa.

A diretora Ana Elisa Siqueira conta que, com o tempo, a escola aprendeu que proibir não era o caminho. “A internet oferece muitas possibilidades e fomos descobrindo, na medida que o projeto avançou, que a conscientização é a melhor forma de proteger a todos. E fazemos isso por meio da empatia e da solidariedade”.

Assim, os estudantes são estimulados a discutir assuntos relacionados às mídias sociais e o uso seguro da internet nas rodas de conversa e nas assembleias de alunos. A escola também leva o debate para o conselho de escola composto por pais, aproximando as famílias da discussão.

“Claro que enfrentamos muitas situações delicadas. Os professores também precisam se adaptar à dinâmica que a internet traz para as aulas, mas nós vamos conversando sempre sobre tudo isso e construindo juntos a melhor maneira de se apropriar das tecnologias digitais, sempre com empatia, escuta e acolhimento”, afirma Ana Elisa.

Cartilhas e materiais extras

O debate sobre ética e responsabilidade nas redes sociais ou em sites devem estar sempre em pauta e ser trabalhados de várias maneiras, em diferentes disciplinas.

A Safernet Brasil disponibiliza algumas cartilhas que ajudam educadores a trabalhar o tema em sala de aula. É o caso do Guia Responsável para Uso da Internet, feito em quadrinhos para estimular o pensamento sobre uso da rede de forma lúdica e da A Web que Queremos. Voltada para público adolescente, traz exercícios e debates sobre o futuro da internet, liberdades online, privacidade e cidadania digital.

Em parceria com o Ministério da Educação (MEC), a ONG também produziu algumas cartilhas para educadores. O documento Internet, eu e a sociedade: o que está mudando? reúne algumas reportagens que discutem o assunto e promovem o debate.

A plataforma Dialogando, que tem como objetivo debater o próprio papel da tecnologia e meios de manter a internet segura, disponibiliza uma série de reportagens sobre o uso seguro da internet ao longo de todo o mês de fevereiro.

 



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