Jogos de raciocínio desenvolvem habilidades cognitivas e emocionais

01 de março de 2018

Com técnica importada de Israel, Mind Lab propõe modelo de aprendizagem inovador

Professora e criança brincam com objeto de madeiras em mesa de escola

Resolver problemas, exercitar a criatividade, tomar decisões, trabalhar em equipe, controlar as emoções, praticar a empatia. O desenvolvimento dessas e de outras habilidades em sala de aula é a proposta da Mind Lab, empresa com sede em Israel que trabalha com pesquisa e desenvolvimento de tecnologias educacionais inovadoras.

Criada em 1994, ela atua em vários países do mundo. No Brasil, atende mais de mil escolas públicas e privadas em 17 estados, com cerca de 400 mil alunos impactados em todas as etapas do ensino.

Por meio do programa MenteInovadora, jogos de raciocínio são usados para facilitar a assimilação de conteúdos na prática, estimulando habilidades socioemocionais e cognitivas. O resultado é uma melhoria de 10% nas notas e de 12,5% na capacidade dos alunos guardarem os conteúdos aprendidos, de acordo com a empresa.

“As emoções afetam muito a maneira como adquirimos conhecimento. A ansiedade, por exemplo, prejudica os resultados de matemática. A baixa autoestima dificulta a realização de trabalhos em equipe”, explica a diretora pedagógica do Mind Lab, Sandra Garcia.

Segundo ela, a interação com o universo lúdico e com os pares promove autoconhecimento. Ajuda também professores, escola e até a família a participar da vida do aluno.  “Os jogos são ferramentas para criar vínculo entre todos os envolvidos no processo de aprendizagem”.

Programa em ação

O programa propõe aulas semanais de 50 minutos exclusivamente dedicadas aos jogos em sala de aula, que são diversificados: vão desde os de oponente, que ensinam a lidar com vitórias e derrotas, aos chamados jogos de construção, que exaltam a importância do trabalho em equipe. Ao final, os alunos são encorajados a refletir sobre a situação vivenciada e relacioná-la com o cotidiano.

Quatro crianças brincam com objeto de madeiras em mesa de escola

Da sala de aula para a vida

O professor Jonathan Ferreira, que leciona matemática na Escola Estadual Professor Luís Soares, em Natal, tinha dificuldade para capturar a atenção dos estudantes. Com a adesão do programa pela escola, ele usou um dos jogos propostos para ensinar plano cartesiano (o famoso “eixo x, eixo y”) aos alunos do 8º ano.

“Pesquisamos juntos sobre o funcionamento do GPS, depois partimos para o jogo. Assim, eles perceberam que a matemática está mais presente no dia a dia do que imaginavam”, explica o professor, premiado em janeiro pela Mind Lab como o educador que melhor adaptou o material para o ensino de uma disciplina.
Outra professora que inovou na utilização do método foi Milena Diniz. Ela leciona ciências na Escola Municipal Professor Francisco de Assis Varela Cavalcanti, na periferia de Natal, região com altos índices de gravidez e DSTs. “Os jogos ajudaram a desmistificar o tabu da sexualidade, e eles ficaram mais à vontade para conversar sobre o assunto”, diz.

Além da Mind Lab, outras empresas se especializaram em oferecer práticas inovadoras de aprendizagem, como o Grupo Mathema e a Escola da Inteligência. A tendência é que jogos sejam cada vez mais valorizados na construção do conhecimento, especialmente com a aplicação da Base Nacional Curricular Comum (BNCC), que propõe currículos mais voltados ao desenvolvimento do pensamento crítico e da vivência socioemocional.

O foco na aprendizagem

O psicólogo Lino de Macedo, autor do livro “Os Jogos e o Lúdico na Aprendizagem Escolar”, explica que, por muito tempo, a ênfase da educação era na didática, na arte de ensinar do professor. Hoje, a perspectiva do estudante é muito mais valorizada, e os jogos são reflexo disso.

Segundo ele, quando jogam, os estudantes desenvolvem pensamento crítico. Deparam-se com regras, escolhas e riscos. Aprendem a ganhar e perder. “São habilidades importantes para qualquer disciplina na escola e, sobretudo, na vida”, afirma.



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