Jovem brasileiro cria sistema que ajuda a identificar problemas no coração

23 de junho de 2017
Jovens participantes da Mostratec 2016

Robert Kaufmann, de 17 anos, teve seu projeto premiado em Houston, nos Estados Unidos.

Foi após uma aula no curso técnico de eletrônica, da Fundação Liberado, em Novo Hamburgo (RS), em que os alunos tinham que propor uma ideia capaz de solucionar algum problema social, que o estudante Robert Kaufmann, de 17 anos, começou a desenvolver sua ideia. “Li muito sobre diversos assuntos. Foi quando encontrei algumas notícias sobre ataques cardíacos em pessoas que praticavam atividades físicas”, conta Robert.

Foi a partir daí e com a ajuda do orientador Marco Sauer, que Robert iniciou o desenvolvimento do chamado sistema de monitoramento de arritmias cardíacas.  Em um aparelho parecido com um relógio, o sistema mede os batimentos cardíacos durante a prática de atividades físicas e indica se há alguma anomalia, já que nessas condições o coração tende a apresentar arritmias mais severas.

 “O objetivo do monitor não é fazer um diagnóstico. Pelo contrário. Queremos que os possíveis pacientes estejam atentos à própria saúde e, caso identifiquem algo diferente, procurem um médico especialista”, explica o orientador.

Com o projeto, Robert participou da MostraTec 2016, feira de ciência e tecnologia realizada anualmente. Lá, o jovem foi premiado na área de engenharia eletrônica pela Fundação Telefônica Vivo, apoiadora do evento, o que serviu como passaporte para uma aventura maior ainda, nos Estados Unidos.

Em maio, o projeto participou da International Sustainable World Energy, Engineering, and Environment Project, em Houston, no Texas, uma competição internacional para estudantes. No evento, o sistema levou medalha de bronze na categoria engenharia.

Quer conhecer melhor a ideia de Robert? Confira a entrevista que fizemos com ele e que nos contou mais detalhes sobre sua criação:

Como surgiu a ideia de criar este aparelho?

Conversei com cardiologistas para entender melhor a respeito. A minha ideia nunca foi criar algo para dar um diagnóstico e sim para alertar sobre os tipos de arritmias, já que muitas vezes as pessoas nem sabem que têm.  

Como foi a sua participação na MostraTec?

O que me fez chegar até a MostraTec foi uma feira que eu participei da Feira Interna de Ciência e Tecnologia em outubro de 2016 em Novo Hamburgo. Apresentei meu projeto lá e fui selecionado. Foi uma experiência bem diferente e importante para mim. Havia mais de 20 países. O mais legal é que despertava o interesse de quem passava, e me perguntavam até se estava à venda e como poderiam adquirir.

E após ser premiado, como foi a experiência de estar em uma competição mundial, nos Estados Unidos?

Foi incrível! Fiquei muito animado e agora tenho mais foco e vontade de dar continuidade no projeto. Quando cheguei na feira de Houston fiquei impressionado. A estrutura é maior e a quantidade de projetos também, tinham uns 800. O meu foi apresentado na categoria “Engenharia”. Recebi a medalhe de bronze pelo meu projeto.

O tempo de exposição lá foi de apenas um dia para a avaliação dos juízes. Outro ponto interessante foi a forma como as pessoas de lá receberam minha ideia. Elas gostaram bastante, de visitantes a médicos especialistas.

Quais os planos para o futuro do projeto?

Este ano vou dar continuidade na pesquisa e nos testes. No fim de 2016 testei o dispositivo em uma pessoa voluntária. Comparamos os dados de batimentos coletados pelo nosso sistema com os dados de exames que são feitos em hospitais. O resultado foi muito bom, tivemos uma proximidade relevante.

Agora o objetivo é testar em mais pessoas para detalhar com mais precisão a capacidade do aparelho. Estou em contato com uma rede médica aqui do Brasil para realizarmos o teste com 40 pessoas. Talvez, quem sabe, no futuro ele chegue ao mercado.

O que você deixaria de recado para os jovens que querem colocar em prática uma ideia?

Vou partir da minha história como exemplo. Eu sempre estudei em uma escola pública, mas nunca fui incentivado a me dedicar à área de pesquisa. Quando cheguei na Fundação Liberato comecei a perceber e me envolver  com isso. Gostei bastante de pensar na tecnologia como ferramenta de mudança social. Quem tem interesse por pesquisa e tem vontade de atuar com isso, vai fundo! Você se torna um individuo mais crítico, procura entender com mais profundidade a raiz dos problemas.

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