Movimento Inova propõe mudanças no modelo pedagógico de escolas em São Paulo

10 de janeiro de 2020

Iniciativa que estimula o uso de tecnologia na sala de aula e novas formas aprendizagem faz parte do programa Inova Educação e deve impactar 2 milhões de estudantes do estado de São Paulo em 2020


A cultura mão na massa e o uso de tecnologia para o aprendizado têm sido questões cada vez mais presentes no cotidiano de estudantes e educadores. Com o objetivo de estimular a tecnologia na sala de aula e os novos formatos de ensinar e aprender, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc) lançou o Movimento Inova.

A iniciativa faz parte do programa Inova Educação e promove um conjunto de mudanças estruturais no modelo pedagógico de escolas de 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental e Ensino Médio, alinhadas à Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Dentre as novidades, que devem entrar em vigor em 2020,está previsto o ajuste de tempo de todas as aulas para 45 minutos e a inclusão de cinco novos tempos na semana, aumentando de 5h para 5h15 a jornada diária do estudante.

Esse novo modelo deve impactar mais de 3,8 mil escolas e 2 milhões de estudantes de São Paulo e envolve a reorganização da matriz curricular. O objetivo é incorporar componentes curriculares inovadores e propor estratégias para a implementação de práticas pedagógicas mais inovadoras, como a cultura maker, além de uma melhoria significativa no clima escolar.

O Movimento Inova também surge com o propósito de realizar o encontro entre a teoria e a prática por meio de um evento anual. A primeira edição aconteceu nos dias 05 e 06 de dezembro de 2019, na Escola de Formação e Aperfeiçoamento dos Professores (EFAPE), em São Paulo, e contou com a participação do Programaê!. A iniciativa da Fundação Telefônica Vivo incentiva o uso do pensamento computacional em práticas pedagógicas e favorece o protagonismo de educadores, crianças e jovens.

 

Oficinas do Programaê! são destaque no evento

A imagem mostra um grupo de pessoas sentadas dentro de uma sala

 

As atividades promovidas no evento do Movimento Inova somaram mais de 25 palestrantes e 90 oficinas. Dentre os destaques, a Feira de Ciências das Escolas Estaduais de São Paulo e a Mostra de Robótica e Computação Criativa expuseram mais de 50 projetos criados por alunos do Ensino Médio. Já a Maratona Hackaton, reuniu programadores, designers e outros profissionais ligados à tecnologia com o objetivo de criar soluções para desafios ligados a problemas do cotidiano nas escolas.

Durante os dois dias de evento, o público pôde participar da oficina ‘Programação Desplugada’, do Programaê!,que acontecia de hora em hora. O intuito foi estimular os jovens a trabalharem competências e habilidades relacionadas ao pensamento computacional como trabalho colaborativo, criatividade e atividades mão na massa, sem o uso de computadores.

Também chamou a atenção a oficina‘Transformers agitam a sala de aula’, conduzida pela professora Vanessa Reis Dias, que integra o time do Programaê!. A atividade foi realizada a partir de quatro princípios da aprendizagem criativa: produzir com a mão na massa, trabalhar com pessoas, paixão pelo que faz e aprender brincando.

“Vimos que os alunos e professores se divertiram muito colocando a mão na massa. Falamos de computação desplugada, robótica de sucata e demos o entendimento de que o pensamento computacional não é programar necessariamente. É uma ação de trabalhar com raciocínio lógico, planejamento, colaboração e muito mais”, explicou Mônica Mandaji,  consultora do Instituto Conhecimento Para Todos, parceiro executor das oficinas do Programaê!

A imagem mostra um grupo de pessoas sentadas dentro de uma sala
Oficina Robô Lumins é realizada durante evento do Movimento Inova

 

Já a ‘Oficina Robô Lumins’, comandada pela cientista de inteligência artificial Karina Menegald, propôs aos participantes criarem um robô utilizando uma batata para fazer do protótipo uma espécie de canal de produção de energia.

“O objetivo foi introduzir elementos básico de robótica, com ênfase na eletrônica, e associar isso ao currículo de Química e Física para que os professores possam aprender e fazer outros projetos em suas escolas”, comentou Karina.

A programação também foi direcionada aos educadores. Palestrantes discutiram sobre temas como competências socioemocionais, educação midiática e tecnologia na sala de aula para debater o uso de tecnologia na sala de aula.

Segundo Mônica, esse tipo de encontro deixa o professor estimulado a transformar as aulas.

“Fica aquele gostinho de quero mais. Eles percebem que temas como pensamento computacional e programação são mais próximos da realidade e do dia a dia. Só é preciso reorganizar os processos e aprofundar aquilo que eles já fazem”, concluiu.



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