Recursos digitais ajudam a transmitir ensinamento que vem da terra em sala de aula

24 de julho de 2017

 

Crianças usam instrumentos de laboratório em escola. Imagem ilustrativa do Escolas Conectadas, da Fundação Telefônica

Conheça a história da educadora que faz do ambiente rural a sua sala de aula

Joana Campos, de 29 anos. Nascida em Belo Horizonte
Educadora Joana Campos

Estudar os seres vivos e a natureza sempre foi o sonho da educadora Joana Campos, de 29 anos. Nascida em Belo Horizonte (MG), aos 10 ela se mudou com a família para Vitória (ES) e aos 21 já estava na universidade federal da cidade para estudar ciências biológicas.

O curso, voltado para licenciatura, permitiu à jovem ter acesso a disciplinas pedagógicas e a pensar na área de biologia dentro do âmbito escolar. Mas foi o trabalho como monitora no Museu de História Natural da universidade que despertou sua vontade de ensinar.

“A gente recebia escolas de todo estado e tínhamos um trabalho com os professores para que os alunos visitantes pudessem assimilar os conteúdos dados em sala de aula por meio das informações sobre o acervo do museu. A partir daí, comecei a me interessar cada vez mais pelo trabalho docente”, conta.

Decidida a seguir na área acadêmica, Joana começou a lecionar em maio de 2016. Hoje dá aulas de biologia para alunos do sexto ao nono do ensino fundamental em duas escolas rurais do município de São Mateus, no Espírito Santo.

 

Aprendendo na prática 

A plataforma escolas conectadas oferece cursos gratuitos com conteúdos e metodologias inovadoras, além de cultura digital, práticas pedagógicas diferenciadas e o auxílio de tecnologia nas atividades para educadores de áreas urbanas e rurais em larga escala. Em 2016 mais de 24 mil professores participaram de cursos da plataforma, e as inscrições para este ano estão abertas para qualquer educador, independentemente da disciplina ou nível de experiência. É preciso apenas ter acesso ao computador e à INTERNET. INSCREVA-SETransformar teorias pedagógicas em práticas que possam ser aplicadas na sala de aula é um dos grandes desafios da profissão de educador, segundo a bióloga. Joana conta que a maioria dos seus alunos são moradores da zona rural e dividem o seu dia entre a escola e as tarefas na roça para ajudar a família.

“Às vezes, você faz um planejamento de aula e descobre que o aluno não está preparado para aprender com aquela proposta. Então, é necessário dar um passo atrás e adaptar o conteúdo à realidade do estudante”, afirma.

Com acesso mais limitado à tecnologia dentro da escola, ela transformou um jogo de computador sobre os estados físicos da água em um varal feito com diversas folhas em forma de quadrinhos desenhados. “Não adianta chegar só com um livro e esperar que os alunos te deem atenção. Eu procuro usar o ambiente rural, que já faz parte da rotina deles, como parte do aprendizado”, explica a professora.

Como exemplo, Joana cita a questão da seca, que tem afetado a rotina da comunidade. O tema não só virou motivo para aprender sobre a fauna local, como aumentou a conscientização sobre o consumo de água.

“Vejo que nossos debates têm extrapolado o ambiente de sala de aula. Além de estarem mais atentos ao desperdício dentro da escola, muitos levaram o tema para discutir com os pais e hoje contam como fazem para reaproveitar a água na própria casa”, conta a professora orgulhosa.

Para aproveitar ainda mais os conteúdos aprendidos pela plataforma Escolas Conectadas, Joana planeja começar uma horta de compostagem este ano. A ideia é promover um trabalho de educação ambiental por meio do cuidado com as plantas e do consumo consciente de alimentos que serão produzidos pelos próprios alunos.

“Apesar dos recursos limitados, nossos alunos são muito esforçados. Muitos sonham em fazer faculdade de veterinária, engenharia florestal ou outro curso relacionado à agricultura para continuar em contato com a terra. Esse é o ambiente deles e o lugar onde se sentem mais confortáveis”, conclui a educadora.


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