O brincar como metodologia de ensino e aprendizagem

12 de março de 2020

Conheça escolas e espaços educativos que apostam nas brincadeiras para guiar o desenvolvimento das crianças


Na infância, o brincar tem papel importante na forma como as crianças experimentam o mundo, na aprendizagem e até na constituição física e psíquica. Brincando, elas desenvolvem coordenação motora, aprendem a lidar com protocolos e regras, atuam na resolução de conflitos, assimilam sentimentos, exercitam o senso de coletividade e a capacidade de abstração, dentre muitos outros benefícios.

O estudo australiano The Case for Play, da ONG Playground Ideias, constatou que uma infância com brincadeiras possibilita um maior desenvolvimento psicológico e cognitivo, maior grau de escolaridade – aumento de 44% de chances de ingressar no ensino médio e 17% no nível universitário –, além de menor probabilidade de desenvolver doenças como ansiedade ou depressão.

Conheça, a seguir, algumas escolas  e espaços educativos que utilizam o brincar como norteador do processo pedagógico e de desenvolvimento das crianças.

 

Ambientes para brincar e aprender

A iniciativa Vivo Brincar estimula as crianças a trocarem o tempo conectado ao celular por diversas brincadeiras, que podem, inclusive, servir de inspiração para aumentar os momentos lúdicos em casa, nas escolas e nas salas de aulas. Acesse e confira as dicas!

O currículo municipal da educação infantil de São Paulo traz o brincar como um de seus pilares, mas algumas escolas vão além ao construir uma metodologia própria. É o caso da EMEI Nelson Mandela, na zona norte de São Paulo. Os diversos espaços viram territórios de aprendizagem  que usam a brincadeira como norteadora de objetivos específicos de aprendizagem.

O gramado, por exemplo, é propício para a exploração e criação a partir de elementos naturais. O parque, com seus brinquedos, balança e outros objetos lúdicos, favorecem as brincadeiras coletivas e ao ar livre, com areia e terra. A quadra envolve jogos direcionados e que exploram corpo e movimento. A brinquedoteca é voltada para a construção de jogos simbólicos com brinquedos estruturados.

“Para além desses espaços específicos, o brincar permeia tudo por aqui, até quando a gente vai propor uma investigação, uma pesquisa ou experiência. Se vamos falar sobre ciência ou discutir algo próprio do universo da criança, por exemplo, recorremos a jogos e brincadeiras”, explica a professora da escola, Marina Basques.

 

O poder dos jogos

Em meados de 2015, a Escola Municipal Luiz Biela de Souza, de Jundiaí (SP), reformulou todo o currículo do ensino fundamental para seguir uma metodologia ludopedagógica. Jogos de tabuleiros foram incorporados em todas as disciplinas, visando um aprendizado transcurricular e com protagonismo dos estudantes.

Há também uma aula específica de jogos para todas as turmas do Fundamental I, uma vez por semana. “Todos os materiais que escolhemos trabalham as dimensões cognitivas, sociais e éticas. Eles mexem com o imaginário, desafiam, motivam e, ao mesmo tempo, são como metáforas para diversas situações da vida cotidiana”, conta a professora responsável Aline Oliveira Aranha.

 

A vivência na natureza

Localizada na zona oeste de São Paulo, a escola Casa de Aprendizagens é outra que tem o brincar como o seu principal pilar, tanto para a Educação Infantil quanto para o Ensino Fundamental I e II.

O Parque da Água Branca, vizinho da escola, é um dos protagonistas na aprendizagem das crianças, frequentadoras assíduas do espaço. Além de interagirem com os animais que vivem soltos por lá, elas preparam uma série de atividades nos diferentes espaços do parque e aproveitam folhas secas e galhos de árvores que recolhem para suas composições lúdicas.

“Nós somos reconhecidos como os principais usuários do parque. As crianças se sentem as donas: recolhem a sujeira, mapearam todos os espaços e participam até da reunião do conselho! Olha o tanto de coisa que elas aprendem com essa vivência!”, observa a diretora Rosa Bertholini.

 

Uma alternativa às escolas

Além das escolas, espaços dedicados exclusivamente ao brincar para complementar a experiência da educação formal já são realidades em diversas regiões do país. A Casa do Brincar, em São Paulo, por exemplo, foi uma das pioneiras nesse formato. O espaço funciona nos meses de férias e preza pelo livre brincar, pela autonomia e pelo convívio entre crianças de diversas faixas etárias.

Com a proposta de oferecer ambientes educadores, a equipe monta espaços que passam por várias linguagens artísticas, como artes plásticas, teatro e movimento. “Esses espaços são renovados todos os dias e ficam montados para a criança circular no tempo dela, conforme sua vontade e suas habilidades”, explica a idealizadora Luciene Motta.

A natureza é outro diferencial do lugar, que conta com muito verde, árvores e até passarinhos cantando. Para estimular a riqueza da convivência entre crianças de faixa-etárias diferentes, a equipe oferece níveis diferentes nas mesmas atividades.

“Com a convivência, as crianças mais velhas, de 5 e 6 anos, entendem que não estão sozinhas no mundo e que precisam zelar pelo bem-estar dos mais novos. Já os pequenos têm os mais velhos como referências pelo vocabulário mais elaborado e atividades motoras mais complexas”, diz Luciane.



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