Olimpíada Brasileira de Robótica incentiva estudantes a usarem conhecimentos da sala de aula na criação de robôs

12 de junho de 2017
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Com 142 mil inscritos em 2017, a OBR comemora 10 anos

Uma vez por ano, crianças, adolescentes e educadores se unem na Olimpíada Brasileira de Robótica (OBR). Meninos e meninas acompanham com entusiasmo seus pequenos robôs gladiadores nas “arenas”, lutando contra obstáculos e ladeiras para alcançar objetivos sob comandos matemáticos. Robôs exercem um fascínio em todas as idades, tanto pela materialização de conceitos abstratos quanto por sugerirem uma aproximação lúdica com um futuro cada vez mais real.

Quem tornou essa competição possível foi um grupo de educadores de diversas universidades brasileiras. Acostumados a participar de eventos sobre robótica, eles se perguntavam como fazer para que esse conteúdo tão multidisciplinar saísse da esfera acadêmica e pudesse impactar crianças e adolescentes. De forma embrionária, sem custo e também sem apoio, em 2007 nasceu a primeira Olimpíada Brasileira de Robótica, convidando alunos do ensino fundamental e médio de escolas em todos os Estados a participar. De uma primeira edição com poucos participantes, a OBR hoje comemora uma década com 142 mil inscritos.

A cada ano é escolhida uma cidade onde acontece a semana final, depois de etapas seletivas estaduais e regionais. Ano passado foi Recife, e em 2017, a cidade escolhida é Curitiba, em novembro. “É importante ressaltar que a final acontece sempre em conjunto com o evento Latin America Robotics Symposium, para unir a comunidade científica e promover trocas de conhecimento entre diferentes gerações”, explica Rafael Aroca, educador do departamento de engenharia mecânica da Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR) e um dos coordenadores da OBR.

Alunos disputam parte prática da Olimpíada Brasileira de Robótica

A competição é dividida em duas modalidades independentes, e a escola participante pode escolher entrar na teórica, na prática ou em ambas. A prova teórica testa os conhecimentos dos alunos de acordo com seriação, juntando em problemas multidisciplinares competências que estão acostumados a ver dentro da sala de aula, como trigonometria ou física.

Embora São Paulo ainda seja o Estado que mais responda pelas inscrições, o nordeste desponta como região que mais vence as provas. Em 2016, por exemplo, a campeã foi uma equipe de estudantes de Recife.

“O bacana dessa prova é que trazemos tudo o que o MEC (Ministério da Educação) define como diretrizes a serem ensinadas e aplicadas em uma prova de robótica”, conta o coordenador. Os 7.000 melhores colocados são premiados com medalhas.

Já na parte prática o nível de dificuldade é maior. Segundo Tatiana Pavelli, vice-coordenadora do evento e educadora de engenharia elétrica da UFSCAR, o desafio é criar um robô que atue em uma simulação de desastre natural. “Cada escola constrói um robô de resgate que navega por um terreno acidentado, com rampas e detritos simulados, operando por sensores capazes de detectar e salvar as vítimas. O robô deve deslocar a ‘vítima’ – geralmente bolinhas de isopor – até uma área de salvação”. A equipe vencedora do ensino médio é classificada para representar o Brasil na competição internacional RoboCup, uma das maiores do mundo.

Para a educadora, a robótica é fonte de encanto e motivação por ser de fácil reconhecimento no cotidiano. “Vemos a robótica ser aplicada na indústria, na medicina e até mesmo dentro da nossa própria casa”, comenta. Tatiana também acrescenta que a multidisciplinaridade da temática faz o construtor do robô trabalhar com uma visão ampla de projetos, com conhecimentos como mecânica, física e linguagem da programação. Esse trabalho não pode ser feito sozinho, e une pessoas com aptidões diferentes, incentivando trocas.

Alunos disputam parte prática da Olimpíada Brasileira de Robótica

 

Experiência para a vida

Os coordenadores já receberam diversos relatos de como a participação na OBR alterou comportamentos escolares, como o caso de uma professora que inscreveu seus alunos com pior desempenho para participar. Eles antes eram violentos e indisciplinados, mas uma vez na Olimpíada, recuperaram suas autoestimas, se tornaram mais proativos e participativos.

Estar em uma competição saudável faz os alunos se interessarem mais por aprender, vendo a aplicação de seus conhecimentos em áreas muitas vezes difíceis e abstratas, como a matemática.

É o que comprova a pesquisa Brazilian Robotics Olympiad: A successful paradgim for scienc and technologia dissemination, de 2016, que contou com a colaboração dos coordenadores da Olimpíada Brasileira de Robótica.

O estudo, feito com 389 docentes e 536 alunos, mostra que quando praticada por alunos da Educação Básica, a robótica muda aspectos comportamentais desses estudantes, tornando-os mais disciplinados, colaborativos e criativos.

Dos alunos, 92% dos que responderam tinham entre 12 e 18 anos, e 48% eram de escolas públicas. Além disso, 58% deles afirmaram que a OBR ajudou a escolher o seu curso de graduação, e a maioria nas áreas de Ciências, Tecnologia e Engenharia.

Alunos disputam parte prática da Olimpíada Brasileira de Robótica

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