Pesquisa Juventudes e Conexões buscar entender os jovens na era digital

19 de setembro de 2019

Lançada no evento Educação 360 Internacional, a pesquisa da Fundação Telefônica Vivo analisou o comportamento e as perspectivas dos jovens em um mundo cada vez mais digital e conectado


Como entender o que a juventude pensa sobre temas como educação, empreendedorismo, comportamento e participação na sociedade? As respostas para essa e muitas outras perguntas estão na voz dos próprios jovens, representados pela recém-lançada pesquisa Juventudes e Conexões, realização da Fundação Telefônica Vivo em parceria com a Rede Conhecimento Social e IBOPE Inteligência. O lançamento aconteceu durante o evento Educação 360 Internacional, no Rio de Janeiro, no dia 17 de setembro.

Americo Mattar, diretor-presidente da Fundação Telefônica Vivo, falou sobre a construção da pesquisa. “É um estudo muito abrangente, com mais de 1.400 jovens entre 15 e 29 anos das cinco regiões do Brasil, refletindo as diversidades do país. Queríamos saber o que os jovens pensam e suas expectativas sobre o mundo conectado. A pesquisa também é disruptiva na própria construção, pois os jovens fizeram perguntas entre eles e para eles”, continuou.

Esta é a 3ª edição do estudo, antes chamado de “Juventude Conectada”. “A pesquisa mudou de nome porque ao falar com os jovens, vimos que a juventude e as conexões são mais ricas do que antes”, explicou Americo. Segundo ele, o trabalho reflete os anseios desse público. “Espero que, a partir da leitura da pesquisa, se criem novas reflexões e conexões em relação à juventude. Trouxemos a pesquisa para reforçar a voz dos jovens”, disse.

 

A construção coletiva

Marisa Villi, diretora executiva da Rede Conhecimento Social, explicou que a colaboração foi fundamental para tornar a pesquisa única. “Buscamos representar diferentes realidades, o que é diferente das pesquisas tradicionais, que costumam partir da visão de um time de pesquisadores para um grupo de pesquisados. No Juventudes e Conexões, os próprios pesquisados também foram pesquisadores, ou seja, alinhamos métodos tradicionais de pesquisa com um processo coletivo de construção com os jovens”, disse.

Essa colaboração só foi possível por causa do aprendizado adquirido desde a primeira edição da pesquisa, em 2014. “Aprendemos que precisávamos trazer os jovens para o estudo não só como pesquisados, mas também como os que ajudam a construir esse conhecimento. Não foi uma pesquisa feita por adultos para que jovens respondessem: foi um trabalho no qual eles trouxeram reflexões com mais sentido para si mesmos”, disse Marisa.

 

A opinião dos jovens

Perguntamos a seis participantes da pesquisa o que eles acharam do trabalho e como se sentiram durante toda a construção do estudo. Confira as opiniões abaixo.

“Tivemos encontros onde foi possível perceber a sensação de coletividade do grupo de jovens que participou da construção da pesquisa. Cada vez que a gente se encontrava, o grupo estava mais unido, o que nos ajudou a se entrosar e colaborar mais na pesquisa”. William Barros, 27 anos, de Uruguaiana (RS)

“A participação na pesquisa me ajudou a conhecer diferentes realidades, pois cada um tem uma história, perspectiva e cultura diferente. Foi um aprendizado até da história de outros lugares, que não costumamos ver na escola. Nós mudamos muito, tiramos muitas dúvidas e a pesquisa nos ajudou a evoluir muito”. Hemily Correia, 22 anos, de Cáceres (MT)

“A experiência que tive no Juventudes e Conexões foi muito enriquecedora. A diversidade de pessoas fez com que todos se soltassem ao longo do projeto. Foi muito legal ter debates ricos entre pessoas diferentes como as que participaram da pesquisa”. Rafael Maciel, 25 anos, de Santarém (PA)

“A sensação foi única e incrível para mim, que pude conhecer outras realidades e pessoas durante a construção da pesquisa. Foram pessoas que pensavam como eu e viviam coisas diferentes. Me colocar no lugar dessas outras pessoas foi incrível”. Yasmin Oliveira, 17 anos, de São Paulo (SP)

“Participar do trabalho foi fundamental e vejo como algo muito importante. Estamos diante de uma revolução tecnológica e, por isso, é muito bom dar voz aos jovens, que serão protagonistas desses avanços. Achei interessante ter a noção de que não somos sozinhos no mundo, mas sim que somos pessoas ativas dentro da sociedade”. João Guilherme, 17 anos, de Cuiabá (MT)

“Foi uma experiência muito rica para entender empreendedorismo, participação social, educação e comportamento. Foi a construção de um tipo de conhecimento que transforma cada vez mais”. Alice Bezerra, 18 anos, de São Sebastião do Umbuzeiro (PB)

 

Os dados da pesquisa

A pesquisa Juventudes e Conexões trouxe informações relevantes sobre do nível de conectividade da juventude. O celular se consolida como o principal aparelho de conexão, com 91% dos jovens utilizando o smartphone para acessar a internet. Eles só não estão online quando dormem, quando a bateria ou os créditos do celular acabam ou, em alguns casos, durante os estudos ou trabalho. 97% acessam ao menos uma rede social.

A escola e a faculdade são as principais referências para jovens, principalmente para o aprendizado (60%) e para a formação de suas identidades (56%). A família é importante para jovens decidirem quem são (49%) e para estarem na sociedade (43%). Assim como a escola, professores e educadores são agentes importantes como referência para os jovens aprenderem (61%), participarem da sociedade (40%), empreenderem (45%) e decidirem quem querem ser (45%).

Durante o Educação 360 Internacional, foram abordados ainda os quatro eixos da pesquisa: Educação, Empreendedorismo, Comportamento e Participação Social. Americo Mattar, Marisa Villi, Hemily Correia e João Alegria, gerente geral do Canal Futura, discutiram alguns dos principais dados do estudo dentro de cada eixo.

Educação: a internet tem um papel educador, mas não substitui o estudo presencial.

  • 55% dos jovens acreditam que a internet melhora a dedicação aos estudos;
  • A flexibilidade de uso é o grande ponto positivo para 44% dos pesquisados;
  • Porém, 37% dizem que a internet piora a atenção na aula;
  • 42% não consideram que aprendem melhor quando o professor dá aulas mais interativas com uso de tecnologias.

“Apesar da ideia de integração e inclusão quando falamos das tecnologias digitais, o que predomina é uma situação de dualidade. Esse sentimento tem a ver com o que chamamos de frustração de controle, quando a tecnologia que você imagina que te atenderá em algo traz um resultado diferente do que você espera. Esse é um sentimento cada vez mais comum”, disse João Alegria, gerente geral do Canal Futura.

Empreendedorismo: para jovens, empreendedorismo não é só ter um negócio.

  • 51% dos jovens se consideram empreendedores;
  • 50% dos pesquisados acreditam que estar antenado com tecnologia impacta no sucesso do negócio;
  • 48% dos jovens discordam que são estimulados a se tornar empreendedores;
  • 54% estão bastante preocupados com mudanças no mercado de trabalho e as profissões do futuro.

“A escola precisa se modernizar para atender aos interesses empreendedores dos jovens. É importante estimular a sonhar, por meio do empreendedorismo, dos interesses dos jovens e também ao modernizar a prática pedagógica”, refletiu Americo Mattar, da Fundação Telefônica Vivo.

Comportamento: a internet amplia o acesso ao conhecimento e a vozes não-hegemônicas.

  • 30% acreditam que a relação consigo mesmo melhorou com conteúdos sobre cabelo, corpo, sexualidade, identidade, etc.;
  • 54% dos jovens se sentem inseguros nas redes;
  • 78% deles ficam desconfortáveis em trocar informações com desconhecidos;
  • 64% desconfiam ao fornecer dados pessoais em compras e cadastros.

“Existem dois pontos: quando jovens, não sabemos o que somos e as redes sociais te ajudam a criar uma falsa sensação de comunidade. Com isso, você se arrisca, perde a noção do que é público e privado e se coloca em situações de risco. Outro ponto é a insegurança de instituições. Se para um aluno é fácil derrubar o site de uma universidade, durante uma greve, por exemplo, como guardar os seus dados pessoais ali?”, comentou Hemily Correia, jovem que participou da pesquisa.

Participação social: o tema ainda é distante para o jovem.

  • 59% não se sentem ouvidos e representados em movimentos ou partidos;
  • 54% dos pesquisados acreditam estar preparados para lidar com fake News;
  • 58% consideram que a internet piorou a agressividade e 45% que agravou as opiniões radicais;
  • 67% dos jovens discordam que é melhor debater política pelas redes sociais do que presencialmente.

“Os jovens estão preferindo conversas presenciais em vez de por meio das redes. Em um contexto de fake news, boa parte deles se diz preparado para lidar com as notícias falsas e os critérios são: primeiro saber se a pessoa que envia a mensagem é de confiança; depois se o texto é bem redigido e/ou não extremista; e por fim, onde foi veiculado. Depois, os jovens ainda pesquisam mais sobre o assunto”, disse Marisa Villi, da Rede Conhecimento Social.

Para saber mais sobre a relação da juventude brasileira com as diferentes formas de conexão na era digital, acesse o estudo completo aqui!



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