Por meio da leitura, professora transforma a vida de crianças e adultos em Sergipe

28 de fevereiro de 2020

Educadora de escola apoiada pelo projeto Aula Digital alia leitura e tecnologia para incentivar seus alunos, além de alfabetizar adultos de forma voluntária.


Segundo o Pisa 2018, o Brasil está atrás de mais e 50 países na avaliação do nível de leitura, entre os 79 países que participaram dessa edição do exame, realizado a cada três anos. Nesse contexto – em que estagnação do ensino no país é um desafio a ser superado – a professora Marleide dos Santos Vasconcelos ajuda a mudar a realidade de crianças e adultos ao unir leitura e tecnologia na cidade de Arauá, no interior de Sergipe.

Conciliando as funções administrativas de diretora, a educadora atua em uma sala multisseriada do 1º ao 3º ano do Ensino Fundamental, na EM Zulívia Alves Nascimento, localizada no povoado de Palmeirinha. No turno da noite, a professora Marleide dedica-se, de forma voluntária, à alfabetização de adultos, o que tornou a escola referência na comunidade. Para ela, a profissão está ligada ao afeto.

“Minha avó foi professora, meu pai foi professor, então, quando você tem tudo isso dentro do seu convívio, vai se apaixonando. Comecei a trabalhar em 1987 e, a cada dia que saio da aula, quero me renovar, quero dar uma aula melhor para meu aluno aprender. Ser professora é amar o que a gente faz!”, define.

Em 2018, a EM Zulívia Alves Nascimento foi uma das 469 escolas das redes estadual e municipais de Sergipe que passaram a receber apoio do projeto Aula Digital, ligado ao   ProFuturo – programa de educação global da Fundação Telefônica Vivo e da Fundação “la Caixa”. A iniciativa, presente em mais de 30 países, combina estratégias como a formação técnico-pedagógica de educadores e gestores, o oferecimento de conteúdos e recursos tecnológicos e a personalização da aprendizagem em sala de aula.

Para a professora Marleide, a chegada do projeto trouxe inovação e a possibilidade de dar aos alunos uma nova leitura do mundo. “Veio para me ajudar como profissional e foi aquele gás para os alunos, devido às atividades desenvolvidas. Por meio do Aula Digital, transformamos uma sala de aula cheia de bagunça em um cantinho de leitura e de vídeo. E não usamos só para isso, pois também serve para reunião bimestral de pais e abriga a comunidade escolar. Foi maravilhoso!”, conta.

 

Expandindo mundos por meio da tecnologia

Desde a chegada do Aula Digital, os alunos já sentiram um impacto positivo. Além de dar autonomia aos estudantes e trabalhar de várias maneiras a leitura, a professora também destaca que os recursos do projeto ajudaram a expandir o universo de cada um e o desenvolvimento de novas habilidades.

“Nem todo aluno tem um celular ou um tablet, então a chegada da maleta foi uma novidade. Os aparelhos proporcionam o contato com novas formas geométricas, múltiplas cores e tudo isso foi ampliando o mundo deles e o meu”, conta.

Por ser uma sala multisseriada, a tecnologia também ajudou a educadora a dar igualdade de tratamento entre os alunos e exercitar a empatia da turma, formada por crianças entre o 1º e 3º ano do Ensino Fundamental.

“Eles perceberam que precisavam saber ler para acompanhar as atividades. Aqueles que sabiam ler, já se resolviam sem eu precisar estar ali. Além disso, criou-se uma parceria entre eles: ninguém saía da sala enquanto o coleguinha não aprendia. Teve esse aprendizado de olhar para o outro e não somente para o próprio conhecimento”, relata a educadora.

O plano de aula também ganhou uma nova dinâmica.A professora explica que faz questionamentos orais para explorar o tema que será trabalhado em sala de aula e incentivar os alunos a construírem os conceitos de maneira coletiva. Durante o desenvolvimento das atividades, ela proporciona diversas discussões para que eles possam expressar seus pontos de vista e desenvolver habilidades de argumentação e pensamento crítico. E posteriormente, são construídos materiais de aprendizagem relacionados ao que foi discutido durante a aula, tornando o aluno protagonista do seu próprio conhecimento.

“Essa construção de aula que tem feito a diferença na aprendizagem das crianças eo tema trabalhado em aula ganha mais significado para o aluno”, acredita.

 

Transformando a comunidade pela leitura

Durante a noite, a professora Marleide ainda leva adiante um projeto voluntário: a alfabetização de adultos. Frequentadora de um grupo de oração, a educadora notou que muitas pessoas se sentiam retraídas e com medo de falar pela dificuldade em ler.

“Propus para as pessoas voltarem à escola. A Secretaria de Educação local disse que seria difícil, porque não teria professor, então eu decidi me disponibilizar. Montei uma turma com 13 alunos e foi gratificante ver pessoas que trabalham o dia todo na roça, chegarem cheias de vontade de estudar”, conta.

Em 2020, ela pretende continuar o projeto e garante que os ganhos não se resumem a melhorar a pronúncia ea facilidade em lidar com textos.

“Através da leitura, do diálogo e dos encontros, eles veem outras pessoas e se transformam. Se hoje não conseguem ler bem, no outro dia irão ler melhor. Eu acompanho de perto e peço que não critiquem. Precisamos ouvir e valorizar o outro, pois assim,também estamos nos valorizando”, ensina a professora Marleide.



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