Professores são premiados por projetos que aliam leitura, tecnologia e pesquisa

30 de novembro de 2018
Na imagem aluno de projeto que alia leitura, tecnologia e pesquisa utiliza smartphone. Ele apoia as mãos em um livro didático.

Dois professores aliaram leitura, tecnologia e pesquisa e se destacaram no 11º Prêmio Professores do Brasil. Na etapa nacional, realizada no Rio de Janeiro nesta quinta-feira (29), o professor Isaias Silva foi o vencedor na categoria Anos Iniciais: 4º e 5° anos. Já a professora Maisa Cristina Nunes também foi reconhecida como destaque regional da categoria pré-escola.

O professor Isaias, que atua na Escola Municipal Santa Terezinha do Menino Jesus, em Vitória de Santo Antão-PE, foi um dos participantes, ainda este ano, de formação presencial do Inova Escola, programa da Fundação Telefônica Vivo realizado em parceria com a Secretaria Municipal de Educação local. As instituições desenvolvem a experimentação de modelos de educação inovadores desde 2015 e levam tecnologia digital a escolas da região.

A professora Maisa Nunes, da Creche Municipal Maria Isabel Mendonza Netto em Catalão-GO, também participou da formação da Fundação e sagrou-se vencedora na etapa estadual do prêmio ao inscrever o trabalho “Contando, recontando e criando histórias”.

O Prêmio Professores do Brasil é uma iniciativa do Ministério da Educação (MEC), em parceria com diversas instituições, que reconhece, divulga e premia professores de escolas públicas que contribuam, por meio de diferentes práticas, para a melhoria dos processos de ensino e de aprendizagem de seus alunos na educação básica.

 

De Pernambuco para o Brasil

A EM Santa Terezinha do Menino Jesus é uma escola rural multisseriada, situada a mais de 50 km da capital, Recife. Foi ali, com apoio da formação pelo Inova Escola, que o professor Isaias Silva propôs a desconstrução de estereótipos sobre as populações indígenas no projeto interdisciplinar “Cadê os indígenas nos livros didáticos? Tem indígenas em Pernambuco?”.

São sete etapas a serem completadas pelos alunos, do 4º e 5° ano. Primeiro, eles são convidados a dialogar e relatar qual a primeira imagem que vem à mente quando pensam em povos indígenas. Na segunda fase, assistem a um documentário para, na fase seguinte, lerem livros sobre a temática e, posteriormente, compartilhar o que aprenderam a partir da leitura.

Já na quinta etapa, se debruçam sobre os livros didáticos para pensar, de forma crítica, como as sociedades indígenas são retratadas em fotos e textos nesses materiais. O próximo passo é a sistematização do aprendizado por meio de tabelas e gráficos para, enfim apresentarem o resultado da pesquisa por meio de cartazes.

Mesmo que Pernambuco tenha a quarta maior população indígena do Brasil, os alunos continuavam representando essa população como moradores de ocas e sociedades com hábitos canibais, segundo o educador. Após quinze dias de atividades, foi possível perceber mudanças na forma como os estudantes passaram a perceber as populações tradicionais.

“Utilizando leitura, tecnologia, pesquisa e artes nosso objetivo foi a desfolclorização das sociedades indígenas e o rompimento com o pensamento de que não têm história e são fadadas ao esquecimento. Num tempo curto, os alunos já começaram a entender a questão indígena a partir de uma perspectiva de identidade. Conseguimos fazer com que os estudantes pensassem a temática, e as pessoas por trás dela, de forma crítica, complexa, respeitosa e, sobretudo, mais próxima”, revela o professor Isaias Silva.

 

Na imagem professor Isaias Silva está sentado embaixo de uma árvora com grupo de alunos em projeto que alia leitura, tecnologia e pesquisa

 

Pequenos contadores de histórias

Em Catalão, município localizado a mais de 260 km da capital Goiânia, equipes de 26 escolas participaram de formações presenciais do Inova Escola. A professora Maisa Nunes precisou de uma maleta com alguns livros dentro para colocar sua ideia em prática.

A dinâmica funcionava assim: os alunos levavam a mala para casa e pediam aos pais para que lessem alguns dos livros para eles. No dia seguinte, compartilhavam o que havia sido lido pelos familiares em classe e os recontos eram gravados pela professora, que deve compilar em livro o material.

“O projeto começou com uma turma do Jardim II, com cerca de 20 crianças de 5 anos de idade. Quando sistematizamos nossas práticas conseguimos envolver outras turmas, professores e toda a comunidade perto da creche”, relembra a professora Maisa Nunes.

“Aprendemos, entre tantas coisas, que sempre precisamos repensar nossas práticas a partir de formação continuada. Um projeto que era pontual, em uma turma, foi reconhecido com um prêmio e ainda conseguiu despertar o interesse de toda a comunidade pelo poder da literatura na educação. A formação e a premiação fizeram com que tenhamos certeza de que a educação pública pode, sim, ter qualidade”, reflete a professora Maisa Nunes.

 

Imagem é um retrato da professora Maisa Nunes, que uniu em projeto leitura, tecnologia e pesquisa. Ela tem cabelos na altura dos ombros, está sorrindo e usando um computador.

Apesar de as duas iniciativas vencedoras do Prêmio Professores do Brasil terem temáticas diferentes e recursos distintos, convergem ao utilizar ferramentas do cotidiano para elaboração de novas metodologias para ensinar e pensar a educação como potência transformadora. Também inovam ao aliar leitura, tecnologia e pesquisa.

 

Legados da formação e da premiação

Nos encontros do Inova Escola, além de conhecer novas práticas já realizadas em escolas brasileiras, professores e gestores aprendem a aprimorar o uso da cultura digital em sala de aula e a instigar a curiosidade dos alunos.

“A formação possibilitou repensar a relação professor-aluno e aluno-professor, além de incluir a tecnologia em nossas práticas. E falamos de recursos que temos à disposição no dia a dia, como os smartphones. Por meio de pesquisas na internet, os alunos agregaram outros tipos de conhecimento à temática trabalhada”, exemplifica o professor Isaias Silva.

O Inova Escola atua em escolas públicas a partir de três eixos: estímulo à formação para inovar na educação, a partir de iniciativas que já estão em andamento; incubação para criar soluções adequadas aos contextos específicos das escolas apoiadas pelo programa e implementar os projetos desenvolvidos; e disseminação das práticas inovadoras em educação, compartilhando resultados a partir de publicações como  Viagem à escola do século XXI.

Para Ellen Lima, uma das integrantes do Núcleo de Tecnologia Municipal Educação (NTM), parceiro na formação em Vitória de Santo Antão-PE, o reconhecimento trazido pelo Prêmio Professores do Brasil é superimportante por abrir possibilidades a outros educadores.

“O Isaias é um profissional competente, sensível às necessidades de seus alunos e que prova que o papel do professor vem se transformando com o passar dos anos. Ele faz com que os alunos sejam protagonistas de seu processo de aprendizagem e que construam coletivamente, ao lado dos educadores, o conhecimento”, elogia a gestora.

Para o professor, que leciona em uma escola multisseriada, localizada na zona rural de Pernambuco, a própria indicação ao prêmio já é uma vitória. Ele se orgulha do resultado do projeto que criou: “o que me motivou a realizar o projeto foi um aluno ter perguntado se ainda existia índio no Brasil. Ver que esse mesmo aluno já consegue responder a essa pergunta, e que isso causou uma transformação em sua vida, é algo impossível de mensurar”, finaliza Isaias Silva.

 

 



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