Reggio Emilia: 5 perguntas para os criadores de uma das metodologias de ensino mais famosas do mundo

19 de abril de 2017
Montagem de fotos sobre o método Reggio Emilia.

Conversamos com Claudia Giudici, presidente da Rede Reggio Children, sobre a abordagem educativa presente em 34 países

A Abordagem Reggio Emilia se baseia nas seguintes ideias:

• A criança como protagonista, investigadora e comunicadora
• O professor é parceiro, guia, pesquisador e aprendiz
• A arte como linguagem expressiva
• A cooperação é base do sistema educacional
• O ambiente é visto como o terceiro professor
• Os pais são parceiros no processo de ensino-aprendizagem
• Documentação Pedagógica: registro de experiências com textos, imagens e objetos

Em 1946, Vila Cella, uma cidadezinha no norte da Itália, devastada pelo pós-guerra, iniciou um movimento para reerguer sua história social, cultural e política. Um grupo de cidadãos, liderados pelo jovem professor Loris Malaguzzi, implementou uma proposta educativa inovadora na cidade, que ficaria conhecida mundialmente como abordagem Reggio Emilia.

O modelo pedagógico deu tão certo que acabou sendo municipalizado e engloba 40% das escolas do município Reggio Emilia. Em 1991, foi considerada a melhor metodologia de educação infantil do mundo pela revista americana Newsweek e, a partir daí, ganhou reconhecimento internacional.

Hoje, a Rede Reggio Children é composta por 13 creches e 21 pré-escolas na Itália. Há também uma Fundação, que ajudou a institucionalizar as visitas e pesquisas sobre a abordagem, e um grupo internacional com 34 países.

A Fundação Telefônica Vivo conversou com a presidente da Rede Reggio Children, Claudia Giudici. A seguir, ela conta um pouco mais sobre a abordagem.

A que você atribui o sucesso de Reggio Emilia?

A abordagem Reggio Emilia é uma filosofia educacional baseada na imagem de uma criança portadora de grande potencial de desenvolvimento e sujeito de direitos, que aprende e cresce na relação com os outros. O coração dessa proposta está nas “cem linguagens” que todo ser humano tem e que a criança pode desenvolver com a união de experiências diárias, pontos de vista, uso das mãos, pensamentos e emoções, aumentando a expressividade e criatividade. Por ser uma abordagem abrangente e global, acabam inspirando escolas em todo o mundo.

“A criança é feita de cem.
A criança tem cem mãos, cem pensamentos, cem modos de pensar, de jogar e de falar.
Cem, sempre cem modos de escutar as maravilhas de amar.
Cem alegrias para cantar e compreender.
Cem mundos para descobrir. Cem mundos para inventar.
Cem mundos para sonhar.
A criança tem cem linguagens (e depois, cem, cem, cem),mas roubaram-lhe noventa e nove.
A escola e a cultura separam-lhe a cabeça do corpo (…).
Dizem-lhe: que as cem não existem. A criança diz: ao contrário, as cem existem.”

Trecho de “As Cem Linguagens da Criança”, de Loris Malaguzzi

 

Claudia Giudici
Claudia Giudici

Como a experiência de Reggio Emilia impacta positivamente outras escolas?

Como não é um método certificado, não é possível coletar números. Mas só o fato de estarmos em 34 países, por meio de uma rede internacional, já é um grande marco da Rede Reggio Children.

Vocês recebem algum tipo de retorno das escolas inspiradas pela abordagem?

Além de interagirmos com os representantes de cada um desses países por meio da rede formal, também temos relações, intercâmbios e diálogos com mais de 140 países.

Quais são as principais mudanças na educação de ontem e de hoje?

Como disse o professor Loris Malaguzzi, todo mundo percebe que algo novo está nascendo e que a experiência passada (ainda viva) é chamada a lidar com coisas novas, a praticar e expressar-se de um modo mais rico, estimulante, aberto e de solidariedade mais ampla.

Como será a educação no futuro?

O projeto educativo é um constante diálogo entre passado, presente e futuro. E em nosso trabalho diário tentamos com perseverança continuar nessa direção.

 

 

Reggio Emilia no Brasil

Com 11 anos de existência no país, a RedSOLARE Brasil é uma das cinco organizações que coordenam a abordagem Reggio Emilia na América Latina. No Brasil, a rede trabalha com projetos próprios e parcerias com escolas públicas e privadas da Bahia, Minas Gerais, Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

Uma dessas escolas é a Casa da Infância, em Salvador, que atende crianças a partir de 4 meses. Mesmo divididas por grupos de idade, elas são livres para viver experiências em diversos espaços da escola. Com horários flexíveis e sem planejamento anual definido, o esquema de aula é construído cotidianamente com os educadores.

A coordenadora pedagógica Leticia Chaves explica que a escola valoriza o brincar e não usa equipamentos eletrônicos. A confiança nas crianças faz o educador ser um observador presente e participante. “Quando as pessoas nos visitam pela primeira vez, dizem que não imaginavam uma escola assim. Mas quando oferecemos ambientes tão ricos para as crianças, vamos construindo juntos essa visão, e a utopia se torna realizável”, diz.

 



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