Trabalho voluntário em família: engajamento e reforço dos laços familiares

16 de maio de 2019

O conceito de família voluntária é uma tendência mundial e traz benefícios como empatia, fortalecimento de laços familiares e desenvolvimento pessoal.


Realizar trabalho voluntário é uma prática cada vez mais popular no Brasil. Atualmente, mais de sete milhões de pessoas fazem algum tipo de iniciativa em prol de uma causa. Neste cenário em crescimento, uma tendência que já é realidade em alguns lugares do mundo começa a chegar ao país: o conceito de família voluntária.

“Família voluntária é a realização de uma ação voluntária unindo adultos e crianças. O conceito é estendido às mais diversas composições de família, mas tem como premissa o adulto e a criança realizando voluntariado juntos”, explica Daniel Morais, fundador da plataforma de voluntariado Atados.

O site do Atados conta com uma sessão específica para trabalhos voluntários que podem ser feitos por pais e filhos. Lá estão ações em bibliotecas, com jovens carentes ou mesmo mutirões de limpeza.

 

Exemplo de fora

Mais difundido nos Estados Unidos, o especialista cita como exemplo o family volunteer day, um dia mundial que celebra o poder da família que trabalha junta para melhorar seus bairros e comunidades. Segundo a organização GenerationON, esse tipo de trabalho é uma ótima maneira de reunir a família e deixar uma marca positiva no mundo ao usar seu tempo para fortalecer laços, desenvolver empatia e conhecer uma realidade diferente.

De acordo com Daniel, a família voluntária ajuda os mais jovens a manter esse hábito até a vida adulta. “Para ter uma sociedade mais engajada, precisamos investir na educação das crianças e incentivar os hábitos desde cedo. Por isso a importância do trabalho voluntário em família, estimulando os mais jovens a participarem dessa transformação”, afirma.

O trabalho voluntário ajuda a despertar atitudes positivas e dá a chance dos mais jovens desenvolverem habilidades empáticas e construírem, desde cedo, um senso de responsabilidade social.

Em países como China e Japão, a família voluntária também é um conceito conhecido.

Daniel explica que nesses países as organizações que recebem voluntários já estão preparadas para receber famílias. Ao mesmo tempo, pais também procuram oportunidades para atuar como voluntários com seus filhos, principalmente em datas como o family volunteer day, Natal e férias escolares.

 

Todo mundo junto

Na imagem, Ágata posa para foto com dois homens em meio a uma rua alagada de um bairro periférico.

A avó foi um grande exemplo para engenheira ambiental Ágata Abrão, de 25 anos. Ela conta que os avós sempre buscaram se envolver em doações e projetos sociais, o que inspirou todo o resto da família a colocar a mão na massa. Com pai, mãe e três irmãos, Ágata começou a trabalhar voluntariamente a partir do movimento de escoteiros.

“Fizemos trabalhos voluntários em família em asilos, contando histórias para pacientes, mutirões em praça, atividades em orfanatos e visitas a comunidades carentes no Natal”, diz. “Criamos esse hábito desde novos e agora tenho levado meus afilhados, de cinco e sete anos, para que vejam que o trabalho voluntário é algo bem legal e que faz parte da nossa vivência”.

Para ela, a família voluntária traz diversos impactos positivos, principalmente no desenvolvimento de empatia. “O voluntariado me deu uma visão de mundo muito maior. Acho que deixamos de ser egoístas e passamos a valorizar o que temos, percebendo que, apesar das nossas dificuldades, tem gente com dificuldades maiores ainda. E podemos ajudar essas pessoas a diminuírem suas dores”, acredita.

Ágata complementa que fazer trabalho voluntário em família desde pequena foi algo significativo para a sua vida. “Com certeza, a minha vida e dos meus irmãos foi diferente por causa do voluntariado e isso fez com que nos tornássemos pessoas muito melhores”, conclui.



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