Voluntário promove reencontro entre mãe e filho após 53 anos

12 de janeiro de 2018
Voluntario Thiago, Severino e dona Sofia, mãe de Severino posam para foto no Abrigo Cristo Redentor, no Recife

Após conversar com senhora em abrigo durante o Dia dos Voluntários 2017, Thiago Cavalcante localizou pela internet um de seus filhos

No dia 20 de outubro, no Recife (PE), Thiago Cavalcante Sampaio, gerente de vendas da Telefônica Vivo, participou do Dia dos Voluntários Telefônica (DVT), mobilização realizada em 40 municípios do país. Na empresa há 12 anos, ele não imaginava que aquele momento mudaria completamente a vida de duas pessoas – e a dele também.

Tudo começou quando, inscrito em uma oficina de jardinagem no Abrigo Cristo Redentor, Sampaio sentiu que a melhor maneira de contribuir seria ouvir e dar carinho aos idosos. Uma conversa com Sofia, senhora de 86 anos que vive no abrigo, resultou no reencontro dela com um dos filhos que havia abandonado, há 53 anos.

Vítima de violência doméstica, Sofia contou ter deixado três filhos, com idades entre 2 e 5 anos, em São Paulo. No dia em que o marido ameaçou matá-la, ela preparou o almoço, colocou a comida na mesa e fugiu de casa, sem olhar para trás. Ela nunca mais teve contato com as crianças, mas também jamais passou um dia sequer sem se lembrar delas.

A menina que carregava no ventre foi sua única companhia ao longo da vida, mas morreu aos 40 anos. Há dez anos, depois de perder a casa onde morava, restou a Sofia viver no abrigo. 

Tecnologia a favor da vida

Comovido pela história, o voluntário decidiu buscar pelos nomes dos filhos de Sofia nas redes sociais. Foi quando ele encontrou Severino Matias Severo da Silva, que mora no Rio de Janeiro.

“Com a autorização de Sofia e dos funcionários do abrigo, eu mandei mensagem para esse senhor, mas ele não visualizou”, disse o gerente. A tão esperada resposta chegou apenas no dia 24 de dezembro, na véspera do Natal.

Voluntário Thiago à esquerda, abraça Severino na chegada deste ao aeroporto no Recife

Silva havia desativado sua conta, mas decidiu voltar para cumprimentar os amigos pelo fim do ano. Com a história confirmada por telefone, Sampaio comprou uma passagem do Rio para o Recife para o filho encontrado e mobilizou uma campanha de arrecadação na empresa, que cobriu os gastos. O encontro ocorreu no dia 5 de janeiro e ganhou repercussão na mídia local.

Resgate

De 5 a 7 de janeiro, mãe e filho puderam resgatar parte do vínculo perdido pela vida. “A primeira frase que disse a ela foi: mãe, eu não te culpo por nada. Fique tranquila”, contou Silva.

Após ser deixado pela mãe em São Paulo, Silva também morou em Pernambuco, até chegar ao Rio de Janeiro, com cerca de 7 anos. Viveu com duas tias e com os avós paternos, sofreu maus tratos e morou na rua.

Apesar de sempre ter tido vontade de conhecer a mãe, ele pensava que Sofia já havia falecido. Sem ligação com o passado, Silva também não tem contato com as irmãs, que foram adotadas por outras famílias logo após o ocorrido.

“Eu carregava comigo uma tristeza, porque via as pessoas vivendo em família, com pai e mãe. Eu nunca tive isso. Só me alegrei quando me casei e tive meus dois filhos. Com esse encontro, eu renasci. Foi muito importante ver a minha mãe e receber o abraço dela. A minha história mudou”, disse o filho, que agora quer reformar sua casa para que a mãe deixe o abrigo e possa ir morar com ele no Rio de Janeiro.

Thiago já está de prontidão para fazer uma outra vaquinha entre os colegas e ajudar o novo amigo nessa empreitada, levando para seu departamento o propósito do Programa de Voluntariado: engajar os colaboradores para promoverem o bem por meio de atividades voluntárias.

“De um papo despretensioso, realizamos o sonho de duas pessoas. Desde o início acreditei que fosse possível, e poder testemunhar este reencontro foi emocionante. A gente aprende que pequenos gestos podem representar grandes transformações, e conectar Dona Sofia ao seu filho provou isso”, disse o colaborador.

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