Volunturismo já é realidade e alia férias à vontade de ajudar o próximo

01 de agosto de 2018

Turismo voluntário cresce no Brasil e no mundo e atrai cada vez mais pessoas interessadas a serem mais que turistas

Pessoa de costas pinta parede em escola durante viagem de volunturismo

Para muitos a ideia de trabalhar durante as férias pode parecer uma loucura. No entanto, é cada vez mais comum encontrar pessoas dispostas a viajar não só para conhecer um novo destino, mas também para dedicar parte do tempo livre a ajudar o próximo. O turismo voluntário, ou ‘volunturismo’, já é uma realidade.

Estima-se que esse nicho já movimente cerca de R$ 550 milhões em todo o mundo, e esse montante deve crescer. Segundo estudo da Panrotas, em parceria com a Edelman Brasil, 10 milhões de viajantes já aderiram à tendência, e esse número deve dobrar até 2020. Com isso, aumenta também a procura por empresas e organizações que facilitam o elo entre interessados a se tornarem voluntários e instituições que precisam de apoio.

Uma dessas empresas, e a mais antiga neste ramo, é a AIESEC, presente em mais de 120 países e reconhecida pela ONU. Ligada a universidades, disponibiliza programas para estudantes que vão desde tipos convencionais de intercâmbio até a oportunidade de aderir a um programa de voluntariado global.

A organização, fundada em 1948 na Holanda, promete uma experiência inesquecível a quem aderir à ideia de se voluntariar para ajudar instituições em outros países, em um programa que dura de 6 a 12 semanas. Para se inscrever é preciso preencher um formulário no site da AIESEC, onde há também vários contatos por meio de universidades de todo Brasil. Também é possível obter mais informações nas redes sociais da instituição.

 

Volunturismo brasileiro

Foi por meio de uma viagem ao Nepal que o gaúcho Eduardo Mariano mudou de vida, largou o emprego em uma multinacional e fundou a Exchange do Bem, agência especializada em vender pacotes a quem deseja dedicar parte do período de férias a trabalhos voluntários.

O sócio, Francisco Cavalcanti, também do Rio Grande do Sul, conta que os dois administradores tinham a ambição de construir uma carreira corporativa. Mas um intercâmbio para estudar na França e a posterior ida de Mariano ao país asiático foram determinantes para uma mudança de visão de mundo e a guinada que levou à fundação da empresa em 2006.

Professora ensina alunas em sala de aula em viagem de volunturismo

“O Nepal serviu para ver como é bom ajudar as pessoas, e assim foi nascendo essa percepção sobre propósito. Nosso papel é conectar os voluntários, de maneira segura, com as instituições e com quem precisa”, explica Cavalcanti.  A empresa oferece diversos tipos de programas e o futuro voluntário pode escolher por temas que vão desde Educação e Proteção à Infância até Esportes e Empoderamento Feminino.

Em média, as viagens duram duas semanas e custam entre R$ 1.500 e R$ 8.000, já com passagem aérea, a destinos que vão do Amazonas ao Nepal. “Os pacotes da Exchange são bem variados. Cobramos por alimentação, seguro, acomodação, transporte para o projeto, enfim, por toda essa rede que vai ter para chegar e voltar com segurança”, esclarece Cavalcanti.

A preocupação com segurança é real, tanto que os sócios vão pessoalmente até as ONGs e instituições que receberão os voluntários. Não só para conhecer os locais, mas também para estabelecer uma rede de apoio, frisa Cavalcanti: “a partir do momento que se torna voluntário, já incluímos em grupos de WhatsApp”.

A Exchange do Bem se especializou em programas no exterior, mas este ano reforça parcerias com empresas brasileiras como a Vivalá, startup criada em 2015, que incentiva projetos para o desenvolvimento de microempreendedores em todo Brasil, e que tem programas de voluntariado focados em melhorar produtos locais, oferecendo treinamento e material para atividades.

Seja qual for o destino ou trabalho escolhido, Cavalcanti garante que a transformação é garantida, já que os viajantes voltam motivados e continuam a atuar como voluntários em suas cidades. Para ele, o mais importante é entender a dinâmica local e arregaçar as mangas. “Os prós são maiores. Depende muito do projeto, da iniciativa do voluntário. É uma troca constante”, finaliza.

 

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